O governo da Belarus intensificou, em 2026, a ofensiva contra a Igreja Católica ao recusar a renovação de vistos de sacerdotes estrangeiros, principalmente poloneses, que atuavam no país há décadas.
Quem foi atingido
Nos últimos meses, padres pertencentes às dioceses de Pinsk e Vitebsk e à arquidiocese de Minsk-Mohilev tiveram as permissões de residência canceladas. Sem o documento, perderam o direito de celebrar missas e prestar assistência religiosa às comunidades locais.
Controle rígido sobre o clero externo
A legislação bielorrussa exige que qualquer religioso estrangeiro obtenha autorização direta de um órgão estatal sediado em Minsk. Os vistos concedidos têm curta duração, os sermões são monitorados, as redes sociais são supervisionadas e há proibição de atividades fora da paróquia designada.
Relação desgastada desde 2020
O atrito entre Estado e Igreja piorou após as eleições contestadas de 2020. Na época, templos católicos serviram de abrigo a manifestantes perseguidos pela polícia, e líderes eclesiásticos criticaram a violência governamental. Desde então, sacerdotes relatam ameaças, detenções e acusações de espionagem e traição.
Impacto da guerra na Ucrânia
A crise agravou-se depois que bispos bielorrussos, seguindo orientações do Vaticano, pediram paz e censuraram o uso do território nacional por tropas russas na invasão da Ucrânia. Aliado próximo do Kremlin, o presidente Aleksandr Lukashenko interpreta a postura católica como influência estrangeira indesejada.
Efeito nas paróquias locais
Com a redução do número de padres, algumas comunidades ficaram sem celebrações regulares. Sacerdotes remanescentes precisam percorrer centenas de quilômetros para atender fiéis de várias cidades. A Conferência Episcopal tem defendido o estímulo a vocações locais para diminuir a dependência de missionários que o governo tenta afastar.
Com informações de Gazeta do Povo