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The Economist aponta avanço do “socialismo TikTok” e questiona viabilidade de suas propostas

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Em editorial acompanhado de três reportagens publicadas em 5 de junho de 2026, a revista britânica The Economist alertou para os possíveis efeitos do que descreve como “socialismo TikTok”, tendência capitaneada pela geração Z e adotada por políticos de vários países.

Três pilares do movimento

Segundo a publicação, o fenômeno apresenta três características centrais:

1) desconfiança de que o crescimento econômico beneficie a maioria da população, dentro de uma lógica de soma zero que privilegia a apropriação de riqueza sobre a produção;
2) defesa de que programas sociais sejam financiados apenas pelos mais ricos, não por toda a sociedade;
3) hostilidade ao setor privado e ao livre mercado, com pedido de maior intervenção estatal para controlar preços e atividades econômicas.

Propostas simples, mas consideradas impraticáveis

A revista avalia que as soluções defendidas — como corte de tarifas, transporte público gratuito e proteção de empregos — são vistas como fáceis de compreender e atraentes para o público jovem, mas ingênuas do ponto de vista fiscal.

Exemplos citados

Entre as lideranças mencionadas estão o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que prometeu congelar aluguéis; o recém-eleito líder do Novo Partido Democrata do Canadá, Avi Lewis; e o francês Jean-Luc Mélenchon. Partidos como o Green Party, no Reino Unido, e o alemão Die Linke também foram destacados.

Insatisfação com impostos, governo e IA

Dados reproduzidos pela The Economist indicam crescente descontentamento de norte-americanos, franceses e britânicos com a carga tributária, enquanto a aprovação aos gastos públicos diminui. A revista aponta ainda que mais de 60% de americanos, britânicos e canadenses dizem sentir ansiedade em relação à inteligência artificial, ante média global de 50%. Entre os jovens dos Estados Unidos, 59% temem que a tecnologia ameace seus empregos.

Queda no número de eleitores que se declaram socialistas

Apesar da visibilidade nas redes sociais, o percentual de eleitores que se identificam como socialistas nos Estados Unidos recuou de 5% (2018-2021) para 3,4%, conforme dados citados pela revista. Levantamento da Universidade Harvard mostra retração semelhante no apoio a capitalismo, socialismo democrático e socialismo entre 2018 e 2025.

Narrativa “ricos contra o resto”

Autores como o antropólogo Jason Hickel e o filósofo Kohei Saito são mencionados por defender que o crescimento do PIB é socialmente destrutivo e leva as pessoas a trabalhar em excesso. Para a geração Z socialista, temas como racismo estrutural, ESG e mudanças climáticas saem do foco, substituídos pelo custo de vida e pela segurança do emprego diante do avanço da IA.

Quem paga a conta?

Ao contrário de gerações anteriores, os jovens socialistas não propõem tributação ampla para financiar benefícios universais, concentrando-se em taxar grandes fortunas e cortar gastos públicos por meio de ganhos de eficiência. A The Economist contesta a eficácia dessas medidas, citando que controles de aluguel desestimulam investimentos imobiliários e que bilionários poderiam migrar para jurisdições fiscais mais favoráveis.

Para a revista, muitos dos problemas destacados pelo “socialismo TikTok” resultam de mercados pouco livres, não excessivamente regulados, e ainda haveria espaço para uma defesa mais contundente do liberalismo.

Com informações de Gazeta do Povo