A revista britânica The Economist soou o alerta para o chamado “socialismo TikTok”, tendência política capitaneada pela geração Z e concentrada em propostas imediatistas para reduzir o custo de vida e garantir segurança no emprego. O fenômeno ganhou força nas redes sociais e aposta em medidas como congelamento de aluguéis e gratuidade no transporte coletivo, afastando-se de conceitos econômicos tradicionais.
O que caracteriza o movimento
Diferente de vertentes socialistas do passado, a corrente presente nas plataformas digitais sustenta que o crescimento econômico tem pouca repercussão no bem-estar da população comum. Para seus defensores, qualquer intervenção estatal deve ser custeada exclusivamente por bilionários ou grandes corporações, em uma lógica de redistribuição de riqueza.
Inteligência artificial no centro das preocupações
A geração Z que apoia o “socialismo TikTok” vê a inteligência artificial (IA) como ameaça direta. Há receio de que a automação substitua postos de trabalho humanos e de que a infraestrutura de IA, como data centers, pressione os preços de energia e água. Pesquisas citadas pela publicação apontam que mais de 60% dos jovens nos Estados Unidos e no Canadá sentem nervosismo e incerteza financeira diante do avanço tecnológico.
Críticas de economistas
Especialistas ouvidos pela revista consideram parte das propostas “ingênuas”. No caso do controle de aluguéis, estudos indicam queda no ritmo de construção de imóveis, o que tende a encarecer ainda mais a moradia por falta de oferta. A ideia de financiar políticas públicas apenas com taxação de super-ricos também é questionada: o grupo é reduzido e possui facilidade para transferir residência fiscal a países com menor carga tributária.
Aderência eleitoral em queda
Apesar da visibilidade nas redes, a identificação formal com o socialismo diminuiu. Nos Estados Unidos, a fatia de eleitores que se declaram socialistas recuou de 5% para 3,4% nos últimos anos. Analistas entendem que a geração Z não migrou para o conservadorismo, mas abandonou rótulos ideológicos, privilegiando soluções pragmáticas para renda e custo de vida.
Resposta liberal
Para The Economist, o liberalismo econômico ainda pode prevalecer no debate se apresentar defesa consistente de mercados mais livres. Problemas como o alto preço das moradias, argumenta a revista, decorrem justamente de falhas em mercados excessivamente regulados, e não do oposto. A publicação sustenta que maior liberdade econômica seria a via para gerar riqueza e eficiência buscadas pelos jovens.
Reportagem original assinada por Roberta Ribeiro foi publicada em 5 de junho de 2026.
Com informações de Gazeta do Povo