Brasília, 3 de junho de 2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom contra Washington ao acusar o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, de articular novas sobretaxas sobre produtos brasileiros. A escalada verbal provocou preocupação imediata entre empresários, que temem prejuízos bilionários caso a disputa avance para uma guerra comercial.
O que está em jogo
O governo norte-americano propôs aplicar uma tarifa adicional de 25% a diversos itens de origem brasileira, amparado na Seção 301 da legislação comercial dos EUA. Caso a medida seja confirmada, a cobrança média sobre as exportações do Brasil passará de 12,2% para mais de 18%, encarecendo a entrada das mercadorias no mercado americano.
Declarações que acirraram a crise
Durante evento no Palácio do Planalto, Lula classificou Marco Rubio como “inimigo mortal” da América Latina e chamou o senador Flávio Bolsonaro de “traidor”. Integrantes do setor privado avaliam que ataques pessoais a autoridades estrangeiras podem esvaziar as negociações técnicas em andamento para barrar as sobretaxas.
Investigação sobre trabalho forçado
Além da acusação de concorrência desleal, Washington abriu outra frente: uma possível tarifa extra de 12,5% alegando falhas do Brasil no combate ao trabalho forçado em suas cadeias produtivas. A suspeita compromete a imagem das empresas nacionais e pode refletir em outros mercados.
Resposta em estudo no Planalto
Assessores de Lula discutem acionar a Lei de Reciprocidade Econômica, que permitiria ao Brasil impor tarifas equivalentes sobre bens norte-americanos. Representantes da indústria alertam, porém, que a retaliação pode gerar um efeito dominó de sanções, prejudicando ambos os lados.
Produtos mais afetados
O etanol lidera a lista de itens sob tensão. Hoje, o Brasil cobra 18% sobre o combustível importado dos EUA, enquanto os americanos aplicam 2,5% ao produto brasileiro. Máquinas, equipamentos e o setor automotivo também estão na mira e podem registrar perdas expressivas se o impasse não for resolvido.
A equipe econômica acompanha as tratativas diplomáticas, mas dirigentes empresariais já se mobilizam para reduzir a exposição aos Estados Unidos e diversificar mercados caso as tarifas entrem em vigor.
Com informações de Gazeta do Povo