Brasília – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mobilizou aliados em Brasília e em Washington para tentar reverter a sobretaxa de 25% que os Estados Unidos pretendem impor a produtos brasileiros a partir de julho de 2026. A medida foi recomendada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) após investigação que criticou normas nacionais, como a regulação de redes sociais e o sistema de pagamentos Pix.
Estratégia de distanciamento
Para se afastar do desgaste político e econômico, Flávio Bolsonaro encaminhou carta ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e afirmou ter feito apelo direto ao presidente Donald Trump para que “poupe as empresas brasileiras”. O parlamentar apresenta-se como mediador capaz de proteger empregos e a competitividade da indústria nacional.
Oposição culpa Palácio do Planalto
Líderes do PL e de outras siglas de oposição atribuem a crise à política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo eles, o governo ignorou sinais da investigação americana e falhou nas negociações diplomáticas que poderiam ter evitado o tarifaço.
Governo reage e amplia conflito
Em nota oficial, o Planalto acusou Flávio Bolsonaro e seus aliados de estimularem medidas hostis contra o Brasil por razões eleitorais. A gestão Lula tenta enquadrar o episódio como defesa da soberania nacional, enquanto discute nos bastidores o impacto da eventual classificação de facções brasileiras como organizações terroristas pelos EUA.
Novo embate jurídico
O clima político acirrou-se após discurso do presidente Lula em Goiás, no qual ele citou, em tom figurado, que o senador mereceria destino semelhante ao de Joaquim Silvério dos Reis, delator de Tiradentes. Flávio Bolsonaro classificou a fala como incitação à morte e anunciou que protocolará notícia-crime no Supremo Tribunal Federal contra o chefe do Executivo.
O PL pretende manter a ofensiva para evitar que a responsabilidade pela tarifa recaia sobre a direita, enquanto o governo intensifica contatos diplomáticos na tentativa de reverter a recomendação do USTR antes da data-limite de julho de 2026.
Com informações de Gazeta do Povo