Washington, 1º de junho de 2026 – A decisão dos Estados Unidos de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês) passa a valer em 5 de junho. Casos semelhantes na América Latina mostram que a classificação costuma ser acompanhada de sanções financeiras, operações de inteligência e, em alguns episódios, ações militares.
México
Em fevereiro de 2025, seis cartéis – Sinaloa, Jalisco Nueva Generación (CJNG), Cártel del Noreste, Cartel do Golfo, La Nueva Familia Michoacana e Carteles Unidos – foram rotulados como FTO. Logo após a medida, o Departamento do Tesouro rastreou e bloqueou transações suspeitas em vários bancos. Nos limites com o México, os EUA reforçaram drones e equipes de inteligência. Com o apoio norte-americano, as Forças Armadas mexicanas realizaram, em fevereiro de 2025, uma grande operação que resultou na morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, líder do CJNG.
Venezuela
A facção Tren de Aragua entrou na lista em fevereiro de 2025. Na sequência, o Comando Sul lançou a Operação Southern Spear, mobilizando o porta-aviões nuclear USS Gerald Ford, drones MQ-9 Reaper e mais de 10 mil militares no Caribe e no Pacífico Oriental. Em setembro do mesmo ano, uma lancha do grupo foi destruída em águas internacionais.
Em novembro de 2025, o Departamento de Estado classificou o Cartel de los Soles, descrito como rede chefiada por Nicolás Maduro. A designação abriu caminho para ataques a bens e infraestrutura ligados ao regime. Em janeiro de 2026, forças norte-americanas capturaram Maduro em Caracas; o ex-líder venezuelano permanece preso em Nova York.
Haiti
Gangues haitianas Viv Ansanm e Gran Grif passaram a ser consideradas terroristas em maio de 2025. A medida congelou ativos sob jurisdição norte-americana, proibiu transações e sujeitou colaboradores a sanções.
América Central
A Mara Salvatrucha (MS-13) recebeu o rótulo de FTO em fevereiro de 2025. Um mês depois, 261 estrangeiros – incluindo 23 membros da MS-13 – foram deportados dos EUA para El Salvador e levados ao megapresídio antiterrorismo Cecot.
Em 23 de setembro de 2025, a gangue Barrio 18 também foi listada. Com isso, tornou-se crime federal prestar apoio ao grupo; seus ativos foram congelados e integrantes passaram a ser barrados na imigração. Washington intensificou a troca de inteligência com El Salvador, Guatemala e Honduras.
Equador
Os grupos Los Choneros e Los Lobos foram declarados terroristas em setembro de 2025. Após capturar José Adolfo Macías Villamar, o “Fito”, em junho, o governo equatoriano o extraditou diretamente aos Estados Unidos, onde ele responde por sete acusações, entre elas tráfico internacional de cocaína e contrabando de armas.
Em 6 de março de 2026, Equador e EUA conduziram a primeira ação militar conjunta: um bombardeio, com apoio norte-americano, contra um acampamento de dissidentes das Farc na província de Sucumbíos.
Colômbia
As Farc entraram na lista de terroristas em outubro de 1997. Três anos depois, Bogotá e Washington lançaram o Plano Colômbia, pacote de US$ 9 bilhões voltado ao combate ao narcotráfico e à retomada de territórios. O apoio norte-americano fortaleceu as forças colombianas e pressionou o grupo a negociar até o acordo de paz de 2016.
PCC e CV entram na mesma lista
Com a nova designação, PCC e CV passarão a figurar ao lado de mais de 90 organizações, entre elas Al-Qaeda, Estado Islâmico, Hamas e Hezbollah. A porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, afirmou à CNN Brasil que o governo Trump pretende “eliminar” as duas facções brasileiras utilizando “todas as ferramentas” disponíveis.
As medidas contra PCC e CV seguirão o modelo aplicado nos países vizinhos: bloqueio de ativos sob jurisdição americana, restrições financeiras, cooperação policial e possível apoio operacional para conter as facções.
Com informações de Gazeta do Povo