Teerã – O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou nesta segunda-feira (25) que há “certo grau de entendimento” com os Estados Unidos sobre um possível termo para encerrar a guerra travada pelo país contra forças americanas e israelenses. Segundo o diplomata, entretanto, um acordo não deve ser firmado em breve.
“Não existe garantia de que os Estados Unidos cumprirão seus compromissos”, declarou Baghaei em entrevista coletiva na capital iraniana, citando “posições contraditórias” de Washington que, de acordo com ele, dificultam o processo de negociação.
Trump fala em avanço; Irã nega incluir programa nuclear
No fim de semana, o presidente norte-americano Donald Trump disse que as conversas progrediram e que o entendimento preliminar prevê:
- reabertura gradual do Estreito de Ormuz, bloqueado quase totalmente pelo Irã desde 28 de fevereiro, início do conflito;
- prazo de 60 dias para debater outros temas, sendo o principal o programa nuclear iraniano.
Baghaei contestou a versão: “Questões nucleares não estão na mesa neste momento”, assegurou. O porta-voz reiterou que Teerã exige o fim das operações militares “em todas as frentes”, incluindo o Líbano, onde vigora um cessar-fogo marcado por acusações mútuas de violações entre Israel e o Hezbollah, aliado iraniano.
“Excelente e significativo, ou nada”, diz presidente dos EUA
Pela rede Truth Social, nesta segunda-feira, Trump reafirmou não ter pressa para concluir o pacto. Ele afirmou que o eventual compromisso será “excelente e significativo” – caso contrário, não haverá tratado. O republicano ainda comparou a negociação atual ao acordo nuclear de 2015, do qual os EUA se retiraram em 2018, classificando o entendimento assinado na gestão Obama como “desastroso” e “caminho direto” para que o Irã obtivesse armas atômicas.
Baghaei, por sua vez, destacou que “em poucas horas” surgem “posições completamente diferentes” da parte norte-americana, o que, segundo ele, “cria problemas para qualquer processo de negociação”.
Não há previsão de novos encontros presenciais. Até o momento, os contatos permanecem indiretos, com intermediários internacionais auxiliando na troca de mensagens entre Washington e Teerã.
Com informações de Gazeta do Povo