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Libertação de pastor não reduz pressão sobre cristãos na China, apontam analistas

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Pequim – A saída da prisão do pastor doméstico Ezra Jin, após 266 dias detido, não indica mudança na política chinesa em relação à liberdade religiosa, avaliam pesquisadores da Fundação para a Defesa das Democracias (FDD), com sede em Washington.

Jin, um dos 30 líderes religiosos presos em outubro de 2025, deixou a cadeia nesta semana. O caso ganhou visibilidade depois que o então presidente norte-americano Donald Trump levou o assunto diretamente ao líder chinês Xi Jinping. Apesar da libertação, oito integrantes da mesma congregação permanecem sob custódia.

Campanha sistemática contra cultos independentes

De acordo com a analista da FDD Mariam Wahba, a decisão de libertar o pastor foi “cuidadosamente calculada” e não altera a estratégia de Pequim de controlar práticas religiosas fora das estruturas oficiais. “As igrejas domésticas protestantes continuam sendo fechadas e o clero católico fiel ao Vaticano segue sob vigilância”, afirmou em relatório divulgado na quarta-feira.

A China abriga 44 milhões de cristãos registrados em entidades reconhecidas pelo Estado: para protestantes, o Movimento Patriótico das Três Autonomias e o Conselho Cristão da China; para católicos, a Associação Patriótica Católica Chinesa e a Conferência Episcopal da Igreja Católica na China. Estimativas que incluem comunidades clandestinas elevam o total de fiéis a cerca de 160 milhões.

Sinização mantém controle estatal

O Partido Comunista Chinês (PCC) exige que toda expressão de fé se alinhe à ideologia oficial, política conhecida como “sinização”. Entre as medidas estão a inserção de educação patriótica nos cultos protestantes e maior interferência nas nomeações do clero católico.

Regulamentações sobre assuntos religiosos, aprovadas em 2004 e endurecidas por Xi Jinping em 2018, são consideradas o principal instrumento legal para submeter igrejas, mesquitas e templos ao Estado. Budistas tibetanos e muçulmanos uigures também enfrentam rígida supervisão – no caso dos uigures, organizações internacionais denunciam genocídio.

Repressão recente confirma tendência

No mês passado, cerca de 50 a 60 policiais interromperam um culto dominical da Igreja da Aliança da Chuva Precoce (ERCC), em Jiangyou, sudoeste do país. Dois anciãos, Yan Hong e Wu Wuqing, além de mais de 30 fiéis — inclusive crianças — foram levados para interrogatório e liberados horas depois, ao se recusarem a assinar uma declaração cujo conteúdo não foi apresentado.

Segundo a organização Portas Abertas, igrejas oficialmente registradas são vigiadas, têm sermões controlados e não podem receber menores de 18 anos. Congregações que optam por funcionar de forma independente arriscam invasões policiais, multas e prisão de líderes.

A FDD sustenta que, diante das violações recorrentes, a China continua apta a ser classificada pelo Departamento de Estado dos EUA como “País de Preocupação Especial” nos termos da Lei Internacional de Liberdade Religiosa.

Com informações de Folha Gospel