Home / Economia / Proposta de jornada de 40 horas pode cortar R$ 77 bilhões do PIB e eliminar até 2,7 milhões de vagas

Proposta de jornada de 40 horas pode cortar R$ 77 bilhões do PIB e eliminar até 2,7 milhões de vagas

ocrente 1779669275
Spread the love

Brasília, 24 de maio de 2026 – A redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, prevista em proposta de emenda constitucional em análise na Câmara dos Deputados, pode custar ao Brasil 0,7% do Produto Interno Bruto – cerca de R$ 77 bilhões por ano – caso não haja aumento de produtividade, segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Debate foca em jornada, não em produtividade

Para especialistas, o projeto ignora o principal entrave do mercado de trabalho nacional – a baixa produtividade. O Brasil ocupa a 94ª colocação entre 184 países avaliados pela Organização Internacional do Trabalho, gerando US$ 21,2 por hora trabalhada. “Faltam ferramentas, gestão e capacitação; só reduzir horas não resolve”, afirma Virgílio Marques dos Santos, da startup FM2S, sediada no parque tecnológico da Unicamp.

Impacto restrito a quem tem carteira assinada

A medida não alcançaria 38,1% da força de trabalho, parcela em condição informal segundo o IBGE. Entre os empregados formais, o endividamento elevado — 83,3 milhões de brasileiros estão com o nome negativado, aponta a Serasa — pode levar parte dos trabalhadores a buscar renda extra, anulando o ganho de tempo livre.

Transição divide governo e Parlamento

O relator Leo Prates (Republicanos-BA) e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendem transição de três anos: uma hora a menos após 120 dias da promulgação e reduções anuais até chegar a 40 horas. O Executivo pressiona por prazo menor e por regras específicas para horas extras.

Custo empresarial e pressão sobre preços

A CNI calcula que o gasto adicional das empresas com a folha pode atingir R$ 267,2 bilhões anuais, acréscimo de até 7%. A FecomercioSP projeta alta de 22% no custo do trabalho sem corte proporcional de salários, repasse que poderia elevar em até 5,7% os preços de alimentos, segundo estimativas da agropecuária.

Empregos ameaçados

Estudo do Centro de Liderança Pública indica risco de corte de 640 mil postos, concentrado em micro e pequenas empresas. A CNI projeta cenário mais severo: até 2,7 milhões de desligamentos formais.

Setores mais expostos

Construção civil: precisaria contratar 288 mil trabalhadores para repor horas perdidas, estima a CBIC, com possível aumento de 13,2% nos custos globais.

Logística: a Fetransesc prevê alta de 18% na folha; sindicatos temem agravamento da escassez de motoristas e risco de desabastecimento.

Turismo e aviação: o Fórum de Operadores Hoteleiros alerta para perda de competitividade; companhias aéreas temem inviabilização de rotas internacionais se a nova regra alcançar tripulações.

Pesquisadores da FGV Ibre apontam que, num cenário ainda mais curto de 36 horas semanais, as horas trabalhadas cairiam 6,2% e a renda do país poderia encolher mais de 10% se a produtividade não avançar o suficiente.

A discussão segue sem data para votação em plenário. Enquanto governo e Congresso negociam o cronograma, entidades empresariais alertam para a necessidade de soluções que elevem a produtividade antes de encurtar a jornada.

Com informações de Gazeta do Povo