O Vaticano advertiu que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) pretende ordenar novos bispos sem autorização do Papa em 1º de julho de 2026, medida que pode acarretar excomunhão automática e reacender um cisma iniciado em 1988.
Quem é a Fraternidade São Pio X
Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a FSSPX defende a manutenção integral de práticas litúrgicas anteriores ao Concílio Vaticano II, como a celebração da missa exclusivamente em latim. O grupo questiona reformas conciliares, sobretudo o princípio da liberdade religiosa aplicado a outras crenças.
Por que a ordenação sem mandato papal é grave
De acordo com o direito canônico, somente o Papa pode conceder o mandato para consagrar bispos. Realizar ordenações à revelia rompe a comunhão com o sucessor de Pedro e caracteriza o crime de cisma, resultando na exclusão automática dos envolvidos da Igreja Católica.
Precedente de 1988
Em 30 de junho de 1988, Lefebvre consagrou quatro bispos contra ordem direta de João Paulo II. Na época, a Santa Sé declarou a FSSPX em estado de cisma. A escolha da mesma data — 1º de julho, considerando o fuso de Ecône, na Suíça — é vista como repetição simbólica daquele ato.
Tentativas de reconciliação
O Papa Bento XVI suspendeu as excomunhões dos quatro bispos em 2009 e ampliou o uso litúrgico do missal anterior a 1970. Já Francisco autorizou, em 2015, que sacerdotes da fraternidade validassem confissões e, mais tarde, casamentos. Apesar dos gestos, divergências doutrinais impediram a plena regularização canônica.
Impacto sobre os fiéis
A penalidade de excomunhão por cisma não recai automaticamente sobre leigos que frequentam missas da FSSPX. Segundo o Código de Direito Canônico, é necessário aderir conscientemente à rejeição da autoridade papal para incorrer na mesma sanção.
Sem consenso sobre pontos fundamentais do Vaticano II, a possibilidade de novas consagrações reabre um impasse histórico entre Roma e os lefebvrianos.
Com informações de Gazeta do Povo