O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste sábado, 23 de maio de 2026, que um entendimento com a República Islâmica do Irã “está perto de ser finalizado”. A afirmação foi publicada em sua conta na rede Truth Social depois de conversas telefônicas com autoridades de vários países do Oriente Médio.
Negociação envolve fim da guerra e reabertura do Estreito de Ormuz
Segundo Trump, os pontos centrais do pacto já foram acertados e restam “apenas detalhes” antes do anúncio oficial. O mandatário mencionou diálogos com líderes de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Paquistão, Turquia, Egito, Jordânia e Bahrein, além de uma “produtiva” conversa com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu.
As tratativas ocorrem em meio à tentativa de encerrar o confronto iniciado em 28 de fevereiro, quando ataques conjuntos de EUA e Israel interromperam negociações nucleares com Teerã. Em resposta, o Irã restringiu o tráfego no Estreito de Ormuz, rota estratégica para petróleo, gás e fertilizantes. Washington reagiu instituindo bloqueio a portos iranianos.
A mediação é conduzida pelo Paquistão. De acordo com fontes diplomáticas, o rascunho do acordo prevê:
- Declaração formal de fim da guerra;
- Reabertura total do Estreito de Ormuz;
- Suspensão do bloqueio norte-americano aos portos iranianos;
- Período de 30 a 60 dias para negociações ampliadas sobre o programa nuclear de Teerã.
Condições de Washington e postura de Teerã
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, confirmou avanços, mas reafirmou exigências: “O Irã não poderá possuir armas nucleares, o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto e Teerã terá de entregar seu estoque de urânio enriquecido”, disse.
Pelo lado iraniano, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, reconheceu a aproximação de posições, mas alertou que “pontos pendentes” ainda precisam ser resolvidos. Teerã prioriza o fim dos confrontos e a suspensão de sanções, deixando o debate sobre o programa nuclear para uma fase posterior.
Apesar de um cessar-fogo em vigor desde abril, a trégua é considerada frágil. Trump chegou a admitir a possibilidade de nova ofensiva caso as negociações fracassem, enquanto o Irã prometeu reagir com mais intensidade se houver retomada de ataques.
Além dos Estados Unidos e do Irã, o processo envolve Israel e monarquias do Golfo, preocupadas com o desenvolvimento nuclear iraniano, o apoio de Teerã a grupos armados na região e o impacto econômico do bloqueio parcial do Estreito de Ormuz.
Com informações de Gazeta do Povo