Brasília — A declaração do deputado federal José Guimarães (PT-CE), ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, a favor de uma campanha eleitoral “radical” reacendeu o debate sobre a imparcialidade do Judiciário brasileiro. A fala foi analisada na noite de quarta-feira (7) durante o programa Última Análise, exibido no YouTube.
Convocação para as ruas
Em encontro partidário, Guimarães conclamou a militância petista a ocupar as ruas “todo dia e toda hora”. Ao comentar a pré-candidatura de Leandro Grass (PT) ao governo do Distrito Federal, o ministro defendeu “radicalizar contra os bolsonaristas” e dar “uma lapada grande” nas urnas.
O jurista Frederico Junkert avaliou que a postura “escancara a essência do petismo” e ocorre num período em que “deveria haver limites ao uso da máquina pública”.
STF intima Flávio Bolsonaro
Enquanto a fala de Guimarães gerou críticas, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal colha, em até 10 dias, o depoimento do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência. A investigação apura possível calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em publicação na rede X que associou Lula ao Foro de São Paulo.
Junkert sustentou que, para configurar calúnia, é necessário atribuir fato concreto, “o que não aparece na postagem”. “Isso está na farta jurisprudência do STF”, acrescentou.
Acusações de tratamento desigual
Para Daniel Vargas, professor da Fundação Getulio Vargas, o contraste entre os dois episódios evidencia “padrões jurídicos aplicados apenas a alguns”. Segundo ele, adversários políticos são submetidos a “uma estrutura de criminalização penal”, enquanto autoridades governistas têm atitudes classificadas apenas como mobilização política.
Última Análise vai ao ar de segunda a quinta-feira, das 19h às 20h30, e discute temas políticos em formato de debate ao vivo.
Com informações de Gazeta do Povo