Grandes multinacionais, entre elas Tesla, Nestlé e Coca-Cola, enviaram manifestações por escrito ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) solicitando que a tarifa adicional de 25% proposta para importações provenientes do Brasil não seja aplicada ou, ao menos, conte com isenções específicas.
Os documentos foram encaminhados em 1º de julho, data-limite para comentários públicos. A medida faz parte de uma investigação do USTR iniciada em 2025, que acusa o Brasil de práticas comerciais consideradas injustas, como preferência ao sistema de pagamentos Pix, taxas alfandegárias supostamente desleais e falhas no combate à corrupção, à violação de propriedade intelectual e ao desmatamento ilegal.
Argumentos das empresas
Em sua carta, a Tesla afirmou que fabricantes norte-americanos “estão comprometidos com a reindustrialização do país e com cadeias de suprimentos locais resilientes”, mas destacou que a transição demandará tempo. Segundo a montadora de Elon Musk, alguns insumos críticos ainda não podem ser produzidos nos Estados Unidos na escala e qualidade necessárias, tornando indispensável o acesso a componentes vindos do Brasil.
A Coca-Cola declarou apoiar o objetivo do USTR de enfrentar as práticas identificadas, porém defendeu que qualquer medida final seja “direcionada e viável” para evitar impactos às operações de alimentos e bebidas. A companhia pediu a manutenção da isenção já sugerida para insumos de laranja brasileiros e a inclusão de exclusão equivalente para produtos derivados de limão.
A Nestlé também se posicionou contra a sobretaxa, embora detalhes de seu argumento não tenham sido divulgados no documento público.
Próximos passos
O USTR realizou audiências presenciais em Washington nos dias 6 e 7 de julho, uma das etapas finais antes de o governo do presidente Donald Trump decidir se aplicará ou não o imposto extra. O próprio órgão recomendou que certos itens, como carne bovina, terras raras e aeronaves, fiquem fora da lista tarifária.
Não há prazo definido para o anúncio da decisão final.
Com informações de Gazeta do Povo