Os Estados Unidos formalizaram nesta quarta-feira (20) uma ação penal contra o ex-ditador cubano Raúl Castro, medida que, segundo analistas, amplia as bases jurídicas para novas sanções e até operações especiais destinadas a enfraquecer o governo de Havana.
O processo foi aberto no Tribunal Federal do Sul da Flórida e imputa a Castro e a outros cinco militares cubanos os crimes de conspiração para matar cidadãos norte-americanos, destruição de aeronaves e homicídio. A acusação se refere ao abatimento de dois aviões da organização humanitária Irmãos ao Resgate, em 24 de fevereiro de 1996, quando Castro era ministro das Forças Armadas de Cuba.
Repercussão em Miami
Em Miami, ativistas de origem cubana comemoraram a iniciativa em um ato simbólico realizado na Freedom Tower do Miami Dade College, local emblemático para a diáspora da ilha. Para eles, o indiciamento é mais um passo rumo ao desmonte do regime instalado há mais de seis décadas.
“Sinal verde” para endurecimento
De acordo com Márcio Coimbra, CEO da consultoria Casa Política e ex-diretor da Apex-Brasil, o Departamento de Justiça forneceu à Casa Branca o respaldo legal necessário para ampliar sanções econômicas, reforçar patrulhas navais no Caribe ou mesmo organizar missões de captura. “Serve como justificativa de segurança interna para uma escalada semelhante à que levou à prisão de Nicolás Maduro”, afirmou.
Paralelo com a Venezuela
O governo dos EUA adotou estratégia parecida na Venezuela. Em 2020, ofereceu US$ 15 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro, valor elevado para US$ 25 milhões em 2025. Em 3 de janeiro deste ano, forças especiais americanas capturaram o líder chavista, que agora responde na Justiça americana por narcoterrorismo e tráfico de drogas.
Para Coimbra, o método aplicado contra Maduro foi “copiado” para o caso cubano: indiciamento criminal, isolamento econômico e apelo à oposição interna, com o objetivo final de provocar o colapso do governo de Miguel Díaz-Canel.
Crise energética na ilha
A acusação surge em meio a uma grave escassez de combustível em Cuba e a cobranças de Washington por reformas políticas e sociais. O cenário interno adverso, avaliam especialistas, limita a capacidade de reação do regime castrista a um eventual aumento de pressão militar ou econômica por parte dos EUA.
Embora o direito internacional não autorize automaticamente ação armada com base em um indiciamento doméstico, o ato fortalece o discurso de segurança nacional da administração Trump e abre espaço para medidas mais duras contra Havana.
Ativistas e membros da comunidade cubano-americana afirmam que o processo nos Estados Unidos transforma Raúl Castro, 95 anos, no principal alvo simbólico de uma campanha que pretende acelerar o fim da hegemonia política instaurada após a Revolução de 1959.
Até o momento, o governo cubano não comentou oficialmente as acusações.
Com informações de Gazeta do Povo