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Governo planeja leilão inédito de 2 GW em megabaterias ainda em 2026

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O Ministério de Minas e Energia (MME) trabalha para realizar, ainda em 2026, o primeiro leilão brasileiro de sistemas de armazenamento de energia por baterias, os chamados BESS (Battery Energy Storage Systems). A proposta prevê a contratação de 2 GW de potência, volume suficiente para suprir uma cidade de aproximadamente 6 milhões de habitantes.

Como deve funcionar o certame

Em estudo, o modelo estipula projetos com potência mínima de 30 MW capazes de fornecer energia por até quatro horas contínuas. A remuneração será por disponibilidade: as empresas instalam, operam e mantêm as baterias prontas para acionamento pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e recebem receita fixa pela potência oferecida.

A realização do leilão depende da publicação de uma portaria com diretrizes pelo MME e da conclusão de ajustes regulatórios na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O tema está na pauta do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que se reúne nesta terça-feira, 13 de maio.

Prazos e desafios

A Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae) alerta que são necessários ao menos cinco a seis meses entre a publicação das regras e o leilão. Para garantir a entrada em operação dos primeiros sistemas até 2028, o governo precisará soltar a regulamentação no primeiro semestre.

Motivo do leilão

O armazenamento em baterias é visto como resposta ao curtailment — redução obrigatória da geração de usinas solares e eólicas para evitar sobrecarga na rede. Hoje, cerca de 20% da energia produzida por essas fontes deixa de ser aproveitada diariamente.

Estudo da consultoria Aurora Research indica que usar baterias custa 46% menos do que construir novas térmicas a gás e pode gerar economia de R$ 3 bilhões por ano em encargos para cada 2 GW instalados. O mercado brasileiro de armazenamento pode atrair até R$ 45 bilhões em investimentos até 2030.

Interesse do setor privado

Antes mesmo da publicação das regras, grandes empresas sinalizam participação. A Engie Brasil declarou ter projetos prontos para baterias e aguarda definições regulatórias. Já a Axia (ex-Eletrobras) informou possuir pipeline de até 4 GW e avaliará quanto desse volume poderá ofertar conforme os critérios finais.

Por orientação do governo, os projetos deverão ficar próximos a subestações ou associados diretamente a parques solares e eólicos, medida que reduz custos de transmissão e amplia a eficiência do sistema.

As etapas seguintes dependerão da conclusão dos debates regulatórios e da definição do cronograma oficial, mas o setor elétrico mantém a expectativa de que o primeiro leilão de baterias ocorra ainda este ano.

Com informações de Gazeta do Povo