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Saída de chefe da FDA gera disputa sobre controle das pílulas abortivas nos EUA

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Washington (EUA) – A renúncia de Marty Makary ao cargo de comissário da Food and Drug Administration (FDA) em 12 de maio de 2026 reacendeu o embate sobre a regulamentação da pílula abortiva mifepristona. Defensores pró-vida comemoraram a saída, mas passaram a questionar o novo dirigente interino da agência, Kyle Diamantas, por seu histórico profissional.

Makary vinha sendo criticado desde o início do mandato por não restabelecer exigências mais rígidas para a distribuição do medicamento. Agora, o presidente Donald Trump deve indicar um substituto permanente, que ainda precisará ser confirmado pelo Senado.

Histórico de Diamantas é alvo de críticas

Diamantas, até então comissário adjunto para Alimentos Humanos, assumiu interinamente o comando da FDA. Documentos judiciais apontam que, quando atuava no escritório Baker Donelson, ele integrou a equipe jurídica que representou a Planned Parenthood de Greater Orlando em uma disputa imobiliária. Segundo um assessor da Casa Branca, o advogado deixou o caso por motivos de consciência.

O envolvimento passado provocou reação imediata de grupos pró-vida. Kristan Hawkins, presidente da Students for Life, declarou no X (antigo Twitter) que “o novo comissário precisa estar 100% comprometido em proteger crianças no útero e suas mães”. Lila Rose, fundadora da Live Action, afirmou que “não se pode permitir que alguém ligado à Planned Parenthood supervise regras sobre a mifepristona”.

Pelo governo, o assessor Alex Bruesewitz saiu em defesa de Diamantas: “Kyle é pró-vida e está focado em cumprir a promessa do presidente Trump de tornar a América saudável novamente”.

Gestão Makary sob pressão

Durante a gestão de Makary, a FDA abriu, em setembro de 2025, um estudo sobre a segurança da mifepristona em parceria com o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr. No mesmo mês, contudo, a agência autorizou a venda de uma versão genérica do fármaco, decisão que ampliou as críticas dos opositores ao aborto.

Em janeiro de 2026, o Departamento de Justiça entrou com moção para suspender processo movido pela procuradora-geral da Louisiana, Liz Murrill, que questiona a flexibilização das regras do medicamento adotada em 2023.

Repercussão no Congresso

Entre parlamentares republicanos, o senador Josh Hawley (Missouri) classificou a renúncia como “notícia bem-vinda” e disse que Makary foi “destrutivo para o movimento pró-vida”. O senador Bill Cassidy (Louisiana) declarou esperar que o próximo indicado “se importe profundamente com a vida”.

Próximos passos

Donald Trump, questionado por repórteres, evitou relacionar a renúncia às pressões sobre o tema aborto. “Ele é um grande médico, estava passando por dificuldades; todos querem esse cargo”, limitou-se a dizer.

Até que o Senado aprove um novo titular, Diamantas continuará à frente da FDA, enquanto grupos favoráveis e contrários ao aborto intensificam o lobby em torno da escolha do futuro comissário.

Com informações de Gazeta do Povo