Lima – O presidente interino do Peru, José María Balcázar, foi alvo de críticas de entidades judaicas e de representações diplomáticas após afirmar que judeus teriam contribuído para levar a Alemanha à Segunda Guerra Mundial.
As declarações ocorreram na terça-feira (28), durante a cerimônia pelo 138º aniversário da Câmara de Comércio de Lima. No discurso, Balcázar mencionou o livro “Os Inimigos do Comércio”, do filósofo espanhol Antonio Escohotado, e sugeriu que a comunidade judaica controlava bancos e o comércio alemão, fator que, segundo ele, teria “empurrado” o país ao conflito iniciado em 1939.
Reação de Israel e Alemanha
Em nota conjunta, as embaixadas de Israel e da Alemanha em Lima classificaram as falas como “absurdas” e “historicamente insustentáveis”, lembrando que milhões de judeus alemães foram assassinados pelo regime nazista.
Posicionamento da comunidade judaica
A Associação Judaica do Peru (AJP) também repudiou o pronunciamento. Para a entidade, é “inacreditável” que, no século XXI, se recorram a argumentos equivalentes aos usados para culpar vítimas do Holocausto.
Resposta do governo peruano
Diante da repercussão negativa, a Presidência do Peru divulgou comunicado em que atribui o conteúdo das declarações apenas às ideias de Escohotado. O texto afirma que o Estado peruano reconhece o nazismo como responsável pela Segunda Guerra Mundial e pelo genocídio de judeus, posição que, segundo o governo, permanece inalterada.
Balcázar ocupa interinamente a chefia de Estado desde fevereiro, quando o então presidente provisório José Jerí foi destituído pelo Congresso.
Com informações de Gazeta do Povo