Brasília – A mineradora brasileira Serra Verde foi vendida para a norte-americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões, operação que reacendeu a disputa global por terras raras e provocou reações em Brasília. O negócio, fechado em 27 de abril de 2026, envolve o único projeto fora da Ásia que produz esses minerais em escala comercial.
Disputa geopolítica
Os 17 elementos químicos classificados como terras raras são fundamentais para motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, drones e equipamentos militares de alta tecnologia. Atualmente, a China domina quase todo o refino desses minerais. Para reduzir essa dependência, o governo dos Estados Unidos, por meio da agência de fomento DFC, aportou US$ 565 milhões na aquisição da Serra Verde, situada em Minaçu, no norte de Goiás.
Ação no Supremo
O partido Rede Sustentabilidade protocolou uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão da venda. A legenda argumenta que a transferência de controle de um ativo considerado estratégico ameaça a soberania nacional e pode comprometer o desenvolvimento econômico do país. Parlamentares também solicitaram à Procuradoria-Geral da República (PGR) que verifique se os órgãos reguladores avaliaram corretamente o impacto público da transação.
Riscos apontados por especialistas
Analistas temem que o Brasil se torne apenas fornecedor de matéria-prima, enquanto as etapas de refino e produção de alta tecnologia permaneçam no exterior. Sem exigências de processamento interno, o país perderia a chance de agregar valor à cadeia produtiva e de influenciar preços futuros no mercado internacional.
Posicionamento do governo federal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que “ninguém será dono da nossa riqueza mineral”, mas descartou a criação da estatal Terrabras, inicialmente defendida para centralizar a exploração de terras raras. Em vez disso, o Planalto planeja instituir um conselho ligado à Presidência para tratar de questões geopolíticas do setor, decisão que recebeu críticas de parlamentares da base governista favoráveis a um controle estatal mais rígido.
A venda da Serra Verde, portanto, coloca o Brasil no centro de uma disputa estratégica entre Washington e Pequim, enquanto autoridades e tribunais brasileiros avaliam os impactos nacionais da operação.
Com informações de Gazeta do Povo