Brasília – 27/04/2026 – Após destinar R$ 17,5 bilhões ao programa Pé-de-Meia, o governo federal ainda não conseguiu frear a evasão escolar no ensino médio. Dados do Censo Escolar de 2025 indicam retração de 5,4% no número total de matrículas, levantando dúvidas sobre a real eficácia do incentivo financeiro.
Como funciona o benefício
Criado para alunos de baixa renda, o programa atende mais de 4 milhões de estudantes. O modelo prevê:
• R$ 200 no ato da matrícula;
• Parcelas mensais de R$ 200 para quem mantém ao menos 80% de frequência;
• Bônus anual de R$ 1.000 por conclusão de série;
• Acréscimo de R$ 200 para quem realiza o Enem.
No total, cada beneficiário pode acumular até R$ 9.200 ao final dos três anos do ensino médio.
Resultados questionados
O Ministério da Educação afirma que o abandono escolar caiu entre os contemplados. Contudo, especialistas pedem validação acadêmica independente, uma vez que o Censo apontou diminuição geral de matrículas, fator que pode estar ligado a questões demográficas.
Críticas pedagógicas
Educadores alertam que a ênfase exclusiva na presença física, sem contrapartida de desempenho, pode enfraquecer o compromisso do aluno com os estudos e a autoridade docente.
Irregularidades identificadas
Auditoria do Tribunal de Contas da União determinou a suspensão de repasses a mais de 2.700 pessoas já falecidas. O órgão também detectou quase 13 mil estudantes acima do limite de renda permitido e municípios com número de beneficiários superior ao de matriculados.
Propostas alternativas
Para analistas, o combate estrutural à evasão exige reforma do ensino médio, com currículo mais flexível e ênfase em formação técnica. Apesar de destinar porcentagem do PIB semelhante à de países desenvolvidos, o Brasil ainda não converte investimento em aprendizado de qualidade.
Com informações de Gazeta do Povo