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Tentativa de Gilmar Mendes de barrar sátira com fantoches amplia repercussão e provoca onda de críticas

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Poucos dias após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes pedir investigação contra o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo NOVO, Romeu Zema, a série satírica de marionetes “Os Intocáveis” viu sua audiência disparar na internet. O episódio reproduz, no Brasil, o chamado “efeito Barbra Streisand” — quando uma tentativa de censura acaba dando ainda mais visibilidade ao conteúdo que se queria ocultar.

Denúncias com marionetes

Lançada por Zema, a produção utiliza bonecos para criticar supostos excessos de ministros do STF e apontar ligações entre alguns deles e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Embora já contasse com público cativo, o material ganhou projeção nacional somente após a reação de Gilmar Mendes.

Notícia-crime e inquérito das fake news

Incomodado, o ministro encaminhou em 25 de abril de 2026 uma notícia-crime ao colega Alexandre de Moraes, solicitando que Zema seja incluído no inquérito das fake news, que tramita sob sigilo no Supremo. Em entrevistas, Mendes afirmou que a investigação “só vai acabar quando terminar” e sugeriu que se estenda até as eleições, o que foi interpretado como recado a eventuais críticos do tribunal.

Deboche do sotaque mineiro

Durante as declarações, o ministro ironizou o sotaque do ex-governador, dizendo que Zema fala “um dialeto por vezes incompreensível, talvez de Timor-Leste”. A resposta do político viralizou: “O linguajar de brasileiro simples é diferente do português esnobe dos intocáveis de Brasília”. Zema acrescentou que o problema não é Mendes não compreender suas palavras, “mas os brasileiros não entenderem seus atos”.

Acusações de homofobia

Em outra fala, Gilmar Mendes afirmou que seria “extrema ofensa” se ministros confeccionassem bonecos de Zema “como homossexual ou ladrão”. Usuários da rede X reagiram, acusando o decano de equiparar homossexualidade a crime. Citando precedente do próprio STF que enquadra homofobia como crime de racismo — imprescritível e inafiançável —, a comunidade na plataforma lembrou que pedidos de desculpas não extinguem punições nesse tipo de delito.

“Indústria de difamação”

No mesmo espaço, o magistrado declarou que existe “uma indústria de difamação e acusações caluniosas” contra o Supremo e prometeu enfrentá-la. A postura ocorre depois de o ministro ter sido alvo de piada do senador Sergio Moro numa festa junina, ocasião em que Mendes alegou ter sido injuriado.

Apesar da controvérsia, o ministro mantém a intenção de seguir adiante com medidas judiciais contra a série de fantoches, enquanto a repercussão do conteúdo segue em alta nas redes sociais.

Com informações de Gazeta do Povo