Brasília — O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, declarou que foi alvo de uma tentativa de intimidação atribuída a um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) quando restavam três semanas para o encerramento dos trabalhos da comissão.
Em entrevista ao Flow Podcast, divulgada nesta semana, Vieira relatou que a mensagem chegou por intermédio de outro parlamentar: “Avisa para o Alessandro que ele tem que acertar o tiro dele, senão vou acertar o meu”. Segundo ele, esse tipo de recado é “permanente em Brasília”.
Indiciamentos rejeitados
No parecer final da CPI, o senador incluiu pedidos de indiciamento dos ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. A proposta, porém, foi rejeitada pelo colegiado.
Apesar da derrota no plenário da comissão, Vieira afirmou que a iniciativa incomodou a Corte: “Eles sentiram o golpe; nunca estiveram tão perto de ser responsabilizados”.
Troca de acusações
Gilmar Mendes reagiu publicamente, sugerindo que o relator teria poupado supostos “colegas milicianos”. Vieira rebateu: “Ele sabe que está cometendo crime ao me vincular a milicianos, mas acredita que é impune e pode atacar”.
O ministro protocolou representação na Procuradoria-Geral da República contra o senador por possível abuso de autoridade. A defesa de Vieira pediu o arquivamento do caso.
Dificuldade para investigar autoridades
Na entrevista, o parlamentar disse que servidores técnicos enfrentam obstáculos ao apurar condutas de integrantes de altas cortes: “No Brasil, já houve impeachment de presidente, ex-presidente preso, gente com 50 milhões de votos atrás das grades, e eu não posso investigar um ministro que leva vida de milionário e anda de carona em jatinho?”.
As declarações de Alessandro Vieira reacendem o debate sobre os limites entre a atuação parlamentar e a prerrogativa dos magistrados do Supremo.
Com informações de Direita Online