O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou na noite de quarta-feira (22) que é “maldade” relacionar o caso Banco Master à Praça dos Três Poderes. “O Master continua residindo na Faria Lima”, declarou, durante entrevista ao programa JR Entrevista, da TV Record.
Para o decano, a crise que atinge a instituição financeira deve ser analisada como parte de um problema mais amplo do sistema bancário, envolvendo o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Mendes minimizou qualquer participação de ministros do STF no episódio: “Se houver algo que atinja o Supremo, será algo marginal”, pontuou.
Debate sobre imunidade parlamentar
O ministro disse que a Corte tem discutido repetidamente os limites da imunidade parlamentar após ataques públicos de políticos a autoridades. Segundo ele, alguns agentes tentam usar o período eleitoral para atingir o STF.
Mendes citou o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, que propôs o indiciamento de quatro ministros da Corte e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O parecer foi rejeitado por 6 votos a 4. O decano acionou a PGR contra Vieira por suposto abuso de autoridade e criticou pedidos de impeachment “sem nenhuma razão” contra magistrados.
Alfinetada em Romeu Zema
Questionado sobre o pedido de inclusão do ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo) no inquérito das fake news, Mendes ironizou: “Ele fala um dialeto próximo do português… muitas vezes não o entendemos”. O ministro afirmou que espera análise da Polícia Federal, da PGR e do relator Alexandre de Moraes sobre o que for “inteligível” nas declarações de Zema.
Críticas à gestão da pandemia
Ao comentar a condução da crise sanitária pelo governo Jair Bolsonaro, o ministro comparou a postura do ex-presidente ao líder sectário Jim Jones, responsável por um suicídio coletivo em 1978. Mendes disse que o STF atuou para barrar “uma política de matança geral” e lembrou a falta de respiradores em Manaus, destacando que a Corte autorizou governadores e prefeitos a seguir orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Relação com o Congresso e Código de Ética
Mendes definiu como “esquizofrênica” a relação de parte da sociedade com o STF, que, segundo ele, é criticado por “interferir”, mas procurado para solucionar impasses como o do orçamento secreto. Sobre propostas de um Código de Ética externo para ministros, declarou que mudanças devem ocorrer internamente e citou avanços administrativos implementados na gestão da ministra Rosa Weber.
A entrevista foi concedida em Brasília e ocorreu poucos dias após a repercussão do escândalo envolvendo o Banco Master.
Com informações de Gazeta do Povo