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Disciplina japonesa impulsiona expansão da Blue Tree Hotels no Brasil

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São Paulo – À frente da Blue Tree Hotels desde 1997, a empresária Chieko Aoki mantém receita em alta de mais de 12% ao ano desde 2021 e projeta chegar a 30 hotéis operados até 2027. A estratégia reúne processos americanos, elegância europeia e a hospitalidade japonesa omotenashi, combinação que sustenta o crescimento mesmo diante do complexo ambiente de negócios brasileiro.

Trajetória entre Japão, Brasil e Estados Unidos

Nascida em Fukuoka, no Japão, e naturalizada brasileira após chegar ao país aos sete anos, Chieko formou-se em Direito pela USP. Em 1982, ingressou na hotelaria como diretora de marketing e vendas da rede Caesar Park em São Paulo. Nos anos 1990, assumiu a presidência do Caesar Park Hotels & Resort e da norte-americana Westin Hotel & Resorts, depois de aprofundar estudos em gestão no Japão e na Cornell University, nos EUA.

Com a recessão japonesa, as marcas foram vendidas – Caesar Park para a mexicana Posadas e Westin para o Starwood Capital Group. Para preservar equipes e cultura corporativa, Chieko fundou a Blue Tree Hotels, lançada em 1997.

Modelo de administração garante fôlego financeiro

O início da Blue Tree coincidiu com juros acima de 40% ao ano no Brasil. Sem acesso a crédito de longo prazo, a empresária adotou parcerias em que investidores são donos dos imóveis e a Blue Tree fornece gestão. O formato preserva caixa e possibilita expansão: hoje são 22 unidades e 12 contratos renovados desde 2023 – dez deles sem concorrência.

Entre 2023 e 2025, 33% dos hotéis passam por retrofit. A rede também avança em cidades ligadas ao agronegócio e ao ecoturismo, como Sorriso (MT) e Ribeirão Claro (PR).

Tecnologia aliada ao cuidado humano

Para enfrentar o “custo Brasil” – a alíquota efetiva de ISS, PIS e Cofins entre 8% e 12%, que pode subir a 28% com a reforma tributária –, Chieko aplica o conceito high tech, high touch. O sistema de inteligência artificial Musashi automatiza dados comerciais e reduz despesas, liberando recursos para qualificação. Somente no programa “Árvore da Alma Blue Tree”, 1,3 mil colaboradores foram capacitados recentemente.

Aprendizados e disciplina

A executiva frisa a importância de separar finanças pessoais das empresariais e de simular cenários antes de investir. Entre as tentativas malsucedidas, cita o projeto de hotéis três estrelas em formato self service, revertido após clientes cobrarem o padrão premium da marca.

Filha de um técnico eletricista, Chieko atribui parte do êxito à educação rigorosa e ao senso de comunidade cultivados em casa. “No Brasil, onde muita coisa é malfeita, quem trabalha com disciplina tem oportunidade de se destacar”, resume.

Com informações de Gazeta do Povo