A rivalidade entre Estados Unidos e China para conquistar espaço político e econômico junto ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou força em 2026, em meio à proximidade das eleições presidenciais no Brasil.
Flávio Bolsonaro fala em “colônia chinesa”
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, afirmou à imprensa britânica na semana passada que o Brasil estaria se tornando “uma colônia” de Pequim, citando o distanciamento de Brasília em relação a Washington e a possibilidade de o país ajudar os EUA a reduzir a dependência de terras raras chinesas.
Investimentos: EUA lideram, mas China avança
Segundo o Banco Central, os Estados Unidos permanecem como o maior investidor direto no Brasil, com US$ 244,7 bilhões em 2025, equivalentes a 28 % do total estrangeiro. Entretanto, estudos do American Enterprise Institute e do Conselho Empresarial Brasil-China apontam o Brasil como segundo principal destino global do capital chinês, atrás apenas da Indonésia. A Apex Brasil estima que os aportes de Pequim no país possam superar R$ 27 bilhões até 2032.
Comércio recorde com Pequim
Minério de ferro, soja e petróleo corresponderam a cerca de 80 % das vendas brasileiras para a China, principal destino de 30 % das exportações nacionais — os EUA absorvem cerca de 10 %. Em 2025, o fluxo comercial Brasil-China atingiu US$ 100 bilhões, representando quase metade do superávit comercial brasileiro.
Trump e Lula negociam cooperação
No front político, Donald Trump adotou uma estratégia para conter a presença chinesa e russa na América Latina. Em janeiro, após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA, Xi Jinping telefonou a Lula e defendeu maior coordenação do Sul Global. Paralelamente, Washington intensificou pressões por acordos em segurança e minerais críticos.
Nesta sexta-feira (10), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que Brasil e EUA vão criar o MIT (Time de Interdição Mútua), voltado ao combate ao tráfico de drogas e armas, resultado de conversas diretas entre Lula e Trump. Um entendimento sobre minerais críticos também está em debate.
Pressões comerciais de Washington
O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) divulgou relatório citando o Pix, o comércio informal na rua 25 de Março (SP) e tarifas de importação brasileiras como práticas “desleais”. Já o Departamento de Estado afirmou em 1.º de abril acompanhar “com preocupação” decisões judiciais e governamentais que afetariam a liberdade de expressão no Brasil.
Especialistas ouvidos pelo Ibmec, ESPM e PUC-PR avaliam que as tensões podem se traduzir em tarifas específicas sobre aço, minerais críticos e tecnologia, assim como em obstáculos a empresas chinesas em portos, telecomunicações e obras de infraestrutura. Medidas mais drásticas, porém, são consideradas improváveis.
Com informações de Gazeta do Povo