Brasília — 29/05/2026, 22h33. O ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski afirmou que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode transformar o Brasil em um “pária internacional”. A declaração foi dada em entrevista à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Lewandowski avaliou que a presença de grupos listados como terroristas no país tende a afastar investidores estrangeiros. “O custo de investir dinheiro no Brasil vai aumentar”, disse. Segundo ele, empresas que, ainda que de forma indireta ou não intencional, mantenham relação com as facções correm o risco de enfrentar sanções de natureza criminal, além das já existentes punições administrativas e fiscais.
Risco de retaliações ao sistema financeiro
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também manifestou preocupação. Em entrevista ao jornal O Globo, Durigan advertiu para a possibilidade de Washington aplicar sanções discricionárias que atinjam bancos, fundos de investimento, fintechs e até a infraestrutura do Pix. “Há um receio das instituições financeiras de sofrerem com uma discricionariedade de instrumentos de ataque”, afirmou.
Durigan acrescentou que, caso contas ou plataformas brasileiras sejam consideradas instrumentos das facções, todo o sistema financeiro nacional pode se tornar alvo direto de restrições. O ministro disse que o governo está preparado para oferecer apoio a empresas e setores atingidos, comparando a eventual ajuda ao pacote concedido após o “tarifaço” imposto pela gestão de Donald Trump no ano passado.
Diferença entre facção criminosa e terrorismo
No ano passado, Lewandowski havia ponderado que o terrorismo envolve “nota ideológica, atuação política e repercussão social”, enquanto as facções brasileiras seriam formadas por grupos que praticam crimes previstos na legislação comum. Agora, contudo, ele ressalta que a nova designação imposta pelos EUA muda o cenário jurídico internacional e pode elevar o nível de risco para quem atua no Brasil.
Lewandowski concluiu que, diante da decisão norte-americana, as empresas precisarão redobrar a cautela para não serem associadas às facções, sob pena de sofrerem penalidades severas em outros mercados.
Com informações de Gazeta do Povo