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Papa Leão XIV alerta para riscos do uso indiscriminado de IA na educação e na família

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Roma – O papa Leão XIV publicou nesta sexta-feira (29) sua primeira encíclica, Magnifica Humanitas, conclamando governos, escolas e famílias a limitarem o uso da inteligência artificial (IA) entre crianças e adolescentes. O pontífice afirmou que a tecnologia, quando empregada sem critérios, ameaça o pensamento crítico e favorece o isolamento social dos jovens.

Rapidez tecnológica pode sufocar perguntas essenciais

Segundo o documento, a velocidade com que a IA fornece respostas prontas tende a “sufocar a capacidade humana de formular perguntas profundas e buscar a verdade”. Leão XIV argumenta que toda ferramenta digital, ao ser adotada em larga escala, acaba moldando o comportamento e a mente de quem a utiliza.

Impacto no aprendizado

O líder da Igreja Católica apontou que a “cultura do imediatismo” gerada por assistentes virtuais e motores de busca pode levar ao cansaço, ao tédio e à falta de esforço intelectual. Para ele, o aprendizado genuíno requer paciência e tempo, elementos que a “máquina perfeita” tende a substituir, fazendo o raciocínio humano parecer dispensável.

Perigos da exposição precoce às telas

Leão XIV também listou consequências do uso irrestrito de dispositivos móveis desde a infância: problemas de sono, déficit de atenção e dificuldades no controle das emoções. Alertou, ainda, para riscos maiores, como vício digital, isolamento, bullying virtual e acesso facilitado a conteúdos violentos ou pornográficos, que banalizam o corpo humano e expõem dados sensíveis de menores.

Aliança entre governo, escola e família

Para enfrentar esses desafios, o pontífice propôs uma “coalizão de longo prazo” envolvendo autoridades públicas, instituições de ensino e pais. O objetivo é criar políticas que protejam crianças dos interesses comerciais das plataformas digitais. Ele elogiou na encíclica países que já estabeleceram limites de idade para o uso de redes sociais e responsabilizam empresas de tecnologia pela segurança online.

Novo papel da escola

Leão XIV defendeu que escolas não devem competir com a velocidade do ambiente digital, mas oferecer o que a internet não fornece: tempo para convivência, formação de laços de confiança e desenvolvimento da criatividade. Na visão do papa, isso exige revisão de métodos de avaliação e capacitação contínua dos docentes, para que atuem como mediadores críticos, e não meros transmissores de conteúdo.

A encíclica Magnifica Humanitas é o primeiro documento papal dedicado exclusivamente à inteligência artificial e busca orientar católicos e não católicos sobre o uso ético da tecnologia.

Com informações de Gazeta do Povo