São Paulo – 13 abr 2026 – A possível extinção da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, em discussão na Câmara dos Deputados a partir desta quarta-feira (15), podem encolher o resultado operacional do varejo brasileiro entre 10% e 15%, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (13) pela agência Fitch Ratings.
O estudo projeta compressão de margem de até 200 pontos-base para as companhias do setor, caso não sejam adotadas medidas compensatórias. A Fitch ressalta que o varejo já enfrenta crescimento econômico lento, juros elevados e consumo contido pelo alto endividamento das famílias, além de pressões adicionais geradas por tensões internacionais no Oriente Médio, que encarecem a logística e impulsionam a inflação.
Setores mais expostos
De acordo com a agência, empresas com menor flexibilidade operacional sentirão o impacto de forma mais aguda, sobretudo aquelas que funcionam em três turnos e têm pouca margem para ajustes de horário. Farmácias, lojas de moda instaladas em shoppings e restaurantes aparecem entre os segmentos mais vulneráveis.
Possíveis alternativas
Para limitar perdas, a Fitch sugere acordos trabalhistas, reorganização de turnos, redução de equipes e ganhos de produtividade. Sem essas providências, o efeito negativo sobre o caixa tende a ser imediato, alerta a agência.
Implementação gradual pode reduzir danos
O relatório menciona exemplos de México e Colômbia, onde mudanças semelhantes foram implantadas de forma escalonada. Esse modelo daria mais tempo para adaptação e ajudaria a evitar repasses imediatos de custos ao consumidor, ainda que o impacto sobre a rentabilidade continuasse presente.
Reação do setor produtivo
Entidades empresariais reforçaram as preocupações. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a redução da jornada pode diminuir o Produto Interno Bruto em 0,7% – cerca de R$ 76,4 bilhões anuais – e provocar retração de 1,2% na indústria. Um manifesto assinado por 463 organizações afirma que a medida resultará em perda de empregos e alta de preços, defendendo transição gradual e negociação coletiva.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, classificou o debate neste momento eleitoral como “erro político”. Já a Confederação Nacional do Comércio (CNC) pediu mais diálogo antes de qualquer avanço, temendo aumento de custos operacionais e redução de vagas, especialmente em áreas com alta rotatividade.
Na quarta-feira (15), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara inicia a análise da proposta, considerada prioridade da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Com informações de Gazeta do Povo