Madri – O juiz Juan Carlos Peinado encerrou a fase de instrução e decidiu processar Begoña Gómez, esposa do presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, pelos crimes de tráfico de influência, corrupção em negócios, malversação de fundos públicos e apropriação indébita.
A decisão foi divulgada nesta segunda-feira, 13 de abril de 2026. No despacho, o magistrado rejeitou prorrogar as investigações e arquivou a acusação de exercício ilegal da profissão, mas manteve o procedimento contra a assessora Cristina Álvarez — pelos mesmos quatro delitos — e contra o empresário Juan Carlos Barrabés, pelos dois primeiros.
A investigação contra Gómez começou em abril de 2024 para apurar supostos desvios, prática ilegal da profissão e corrupção. Com a instrução concluída, Peinado concedeu prazo de cinco dias para que Ministério Público, defesa e demais partes se manifestem sobre a abertura de julgamento oral, que ocorrerá perante um júri popular.
Segundo o magistrado, há indícios de que Gómez teria usado sua condição de primeira-dama para obter uma cátedra na Universidade Complutense de Madri, instituição pública, e para favorecer o projeto Transformação Social Competitiva (TSC), criado para estimular empresas a cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
O despacho afirma ainda que a assessora Cristina Álvarez, então funcionária temporária ligada à presidência do governo, participou da captação de recursos e manteve contatos com empresas como o Google, conferindo “aparência institucional” ao projeto. Para o juiz, essa atuação pode configurar “pressão moral” sobre decisores públicos.
Begoña Gómez e Pedro Sánchez estão em viagem oficial à China e, até o momento, não comentaram a decisão. Em 2024, quando o caso veio a público, o chefe de governo qualificou as denúncias como “ataque sem precedentes” e chegou a cogitar renunciar, mas permaneceu no cargo.
Com informações de Gazeta do Povo