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Alta do petróleo reacende risco de expansão dos subsídios aos combustíveis

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O pacote de subsídios aos combustíveis lançado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no início de abril poderá ficar mais caro do que o previsto. A disparada do petróleo tipo Brent, que voltou a ultrapassar os US$ 100 por barril nesta segunda-feira (13), ocorreu logo após o fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã no fim de semana e elevou a possibilidade de aumento dos gastos públicos para conter os preços internos.

A equipe econômica havia calculado desembolso de até R$ 31 bilhões em dois meses para sustentar o plano, mas a nova alta da cotação internacional ameaça estourar essa projeção antes do prazo. O programa inclui:

  • subvenção de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no país, ao custo estimado de R$ 6 bilhões no bimestre;
  • subsídio de R$ 1,20 por litro para o diesel importado, dividido entre União e estados;
  • auxílio de R$ 850 por tonelada para o gás de cozinha importado;
  • isenção de PIS/Cofins sobre querosene de aviação e biodiesel;
  • linha de crédito emergencial voltada a companhias aéreas.

Ao anunciar as medidas, Lula criticou o presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pelos ataques ao Irã, classificando a ofensiva como nociva à economia global. “Não vamos deixar que a guerra irresponsável do Irã chegue ao bolso do caminhoneiro e do povo”, declarou o chefe do Executivo.

Como os subsídios são bancados com recursos federais, o agravamento da crise no Oriente Médio pressiona o Orçamento e pode exigir reforço de verbas para preservar os preços domésticos. Analistas também veem risco de aceleração da inflação, sobretudo nos itens de transporte e alimentação. Projeção do Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central nesta manhã, já aponta IPCA de 4,71% para 2026, acima do teto da meta de 4,5%.

O avanço dos preços tende a dificultar a trajetória de queda da taxa básica de juros. Na última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic de 15% para 14,75%, mas a pressão inflacionária pode adiar novos cortes, segundo economistas.

Com informações de Gazeta do Povo