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Direita acelera formação de chapas para conquistar a maioria das 54 vagas do Senado em 2026

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Brasília – A dois anos das urnas, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o PL intensificam a montagem de chapas “puro sangue” e coligações com legendas aliadas para disputar as 54 cadeiras do Senado que estarão em jogo em 2026 – duas por cada unidade da Federação, o equivalente a dois terços da Casa.

Articulação nacional

Desde 2024, a legenda trabalha, em parceria com governadores e partidos à direita, para lançar duplas de candidatos alinhados a pautas como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas últimas semanas, o desenho dessas composições avançou, superando impasses internos e reajustes de rota.

Sul reúne nomes competitivos

No Paraná, a filiação do senador Sergio Moro ao PL impulsionou a dobradinha Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo). Cristina Graeml (PSD) também permanece na disputa. Em Santa Catarina, o partido fechou chapa com Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, ambos do PL, enquanto Esperidião Amin (PP) segue no páreo. No Rio Grande do Sul, Marcel van Hattem (Novo) e Ubiratan Sanderson (PL) tentam evitar pulverização do eleitorado conservador.

Segurança domina o Sudeste

Em São Paulo, Guilherme Derrite (PP) e Ricardo Salles (Novo) exploram o tema da segurança pública para enfrentar as ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), apoiadas pelo Planalto. No Rio de Janeiro, a inelegibilidade do governador Cláudio Castro (PL) rearranjou o cenário, abrindo espaço para Marcelo Crivella (Republicanos). Já em Minas Gerais, Carlos Viana (PSD) mede forças com Domingos Sávio (PL), enquanto Gleidson Azevedo deixa o Novo e se filia ao partido do irmão, o senador Cleitinho.

Centro-Oeste consolida candidaturas

No Distrito Federal, Bia Kicis (PL) forma dupla com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Goiás apresenta Gustavo Gayer (PL) como principal aposta. No Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil) ganha musculatura local, e Marcos Pollon (PL) surge como nome forte no Mato Grosso do Sul.

Ofensiva no Nordeste

Para avançar em redutos historicamente dominados pela esquerda, a direita investe em líderes regionais. Arthur Lira (PP) e Alfredo Gaspar (PL) preparam-se para a disputa em Alagoas. Na Bahia, João Roma (PL) mantém protagonismo, e em Pernambuco, Anderson Ferreira (PL) tenta se firmar como alternativa conservadora.

Norte mantém base consolidada

Capitão Alberto Neto (PL) e Plínio Valério (PSDB) dividem a cena no Amazonas. No Acre, Gladson Cameli (PP) e Márcio Bittar (PL) despontam, enquanto Marcos Rogério (PL) lidera em Rondônia. Delegado Éder Mauro (PL) organiza campanha no Pará ao lado de Zequinha Marinho (Podemos). Em Roraima, o governador Antonio Denarium (Republicanos) deve concorrer a uma vaga.

Centrão sob pressão

A renovação de dois terços do Senado ameaça PSD e MDB, que perderão 11 e 10 cadeiras, respectivamente. O PSD já viu saírem Rodrigo Pacheco (rumo ao PSB), Eliziane Gama (agora no PT) e Angelo Coronel (Republicanos). O PL reforçou a bancada com as adesões de Sergio Moro (PR) e Efraim Filho (PB), mas perdeu Eudócia Caldas (AL) para o PSDB.

Pesquisa indica apoio ao impeachment de ministros

Levantamento Genial/Quaest realizado entre 6 e 9 de março com 2.004 entrevistados mostra que 66% do eleitorado deseja senadores favoráveis a pedidos de impeachment contra ministros do STF; 22% discordam. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e o registro da pesquisa é BR-05809/2026.

Peso da polarização

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a disputa pelo controle do Senado tornou-se parte da mesma polarização que marca a eleição presidencial. Para o cientista político Ismael Almeida, a migração de Sergio Moro para o PL exemplifica como o cenário nacional interfere diretamente nas alianças regionais.

Evitar dispersão

O deputado Maurício Marcon (PL-RS) defende que a definição antecipada das chapas reduz a fragmentação que, segundo ele, favoreceu a esquerda em 2018, quando também havia duas vagas por estado. Já o advogado eleitoral Antônio Augusto Mayer lembra que eventuais substituições ainda podem ocorrer até 20 dias antes do pleito.

A corrida pelas 54 cadeiras se intensifica, e a oposição aposta na unidade para transformar a próxima legislatura em palco de embates decisivos com o STF e o Executivo.

Com informações de Gazeta do Povo