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Casa Branca avalia ação pontual das Forças Armadas dos EUA em território iraniano

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O governo dos Estados Unidos admite, publicamente, a possibilidade de uma operação terrestre limitada contra o Irã, iniciada a partir da guerra deflagrada em 28 de fevereiro. A hipótese mais citada pelo presidente Donald Trump envolve a ocupação da Ilha de Kharg, responsável por 90% das exportações de petróleo iranianas.

Trump fala em “muitas opções”

Em entrevista publicada no domingo (29) pelo Financial Times, Trump afirmou que “talvez” tome a Ilha de Kharg, sem descartar permanência prolongada no local. Dois dias depois, o secretário de Guerra, Pete Hegseth, reforçou que “nenhuma opção está fora da mesa”, inclusive o envio de tropas.

Questionada pelo Washington Post, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, minimizou a movimentação de mais 10 mil militares de infantaria para o Oriente Médio, alegando que o Pentágono precisa garantir “flexibilidade máxima” ao comandante-em-chefe. Já o secretário de Estado, Marco Rubio, declarou na França, na sexta-feira (27), que os objetivos norte-americanos podem ser atingidos “sem tropas em solo”.

Operação restrita e de curta duração

Fontes do Pentágono citadas pelo Washington Post descrevem um eventual ataque como uma combinação de forças especiais e infantaria convencional, focada em Kharg ou em áreas costeiras próximas ao Estreito de Ormuz. O objetivo seria destruir armamentos capazes de atingir embarcações civis e militares; a ação poderia durar de algumas semanas a poucos meses.

Efetivo disponível

Com reforços recentes, os EUA mantêm cerca de 50 mil militares no Oriente Médio, dos quais apenas 17 mil pertencem a tropas terrestres. Para o professor Sandro Teixeira Moita, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), esse contingente limitaria qualquer investida em larga escala.

O coronel da reserva Marco Antonio de Freitas Coutinho, especialista em relações internacionais, lembra que Kharg mede 22 km² e fica a 250 km da costa saudita. Um assalto aeromóvel, segundo ele, poderia ser executado por paraquedistas em helicópteros e aeronaves Osprey, caso os EUA garantissem supremacia aérea e neutralizassem mísseis e drones iranianos.

Outras possibilidades

Teixeira Moita menciona ainda a chance de missões de forças especiais para remover urânio enriquecido e prejudicar o programa nuclear de Teerã. O professor ressalta, porém, que a logística para extrair esse material seria complexa e cara.

Manter Kharg seria o maior desafio

A ilha está a apenas 25 km da costa iraniana continental, o que deixaria tropas americanas vulneráveis a mísseis, foguetes e drones. Segundo Moita, o Irã buscaria impor baixas e elevar o custo de manutenção do território, sem garantia de levar Teerã à mesa de negociação.

Coutinho alerta que a captura de Kharg não asseguraria a reabertura do Estreito de Ormuz, distante cerca de 650 km. Danos às instalações da ilha poderiam interromper as exportações iranianas e agravar a pressão política e econômica sobre Washington.

Com informações de Gazeta do Povo