As autoridades iranianas confirmaram nesta quinta-feira (2) a execução de Amir Hossein Hatami, preso por envolvimento nos protestos que tomaram o país entre o fim de dezembro e o início de janeiro. De acordo com a agência estatal Mizan, ligada ao Judiciário, Hatami foi enforcado ao amanhecer após ser considerado culpado por incendiar uma instalação militar em Teerã.
Segundo a acusação, o manifestante participou de um ataque à base do grupo paramilitar Basij Kaveh, localizada na rua Damavand, onde ele e outros ativistas teriam tentado entrar, tomar armas e destruir o local. O tribunal determinou a pena de morte e o confisco de todos os bens do réu; a sentença foi mantida pelo Supremo Tribunal iraniano.
Órgãos de comunicação estatais noticiaram que pelo menos nove execuções ligadas aos protestos foram registradas nas últimas semanas. Organizações de direitos humanos, porém, acreditam que o número real seja maior, pois muitos casos não chegam a público.
A Anistia Internacional apontava Hatami como um dos sete manifestantes que corriam risco iminente de execução. Em nota divulgada na terça-feira (31), a entidade afirmou que o governo iraniano continua usando a pena capital para silenciar dissidentes, mesmo em meio ao conflito do país com Estados Unidos e Israel. A ONG denunciou ainda julgamentos “extremamente injustos”, baseados em confissões extraídas sob tortura e concluídos em poucas horas.
Os protestos de janeiro, que pediam o fim do regime teocrático, foram sufocados com violência. O governo admite 3.117 mortos, enquanto a organização HRANA, sediada nos Estados Unidos, calcula mais de 7 mil vítimas e segue averiguando outros 11 mil casos. A HRANA também estima que cerca de 53 mil pessoas foram presas durante as manifestações.
O Irã permanece entre os países que mais aplicam a pena de morte no mundo. Dados da ONU indicam que, em 2025, o país realizou 1.500 enforcamentos, aumento de 50% em relação ao ano anterior.
Com informações de Gazeta do Povo