Documentos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) mostram que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli utilizou, ao longo de 2025, pelo menos dez voos em aeronaves de empresas que possuem – ou possuíram recentemente – vínculos societários ou comerciais com o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por fraudes no liquidado Banco Master.
Empresas envolvidas
Segundo a apuração publicada pela Folha de S.Paulo, cinco dos deslocamentos ocorreram em aviões dos seguintes grupos:
Prime Aviation, da qual Vorcaro foi sócio até setembro de 2025 e que chegou a deter a mansão do banqueiro em Brasília;
Petras Participações, atual proprietária do resort de luxo Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), onde Toffoli e seus irmãos já foram cotistas ao lado de um fundo administrado por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro apontado pela Polícia Federal como operador financeiro do esquema;
Ibrame, empresa do empresário Luiz Pastore, dono do jatinho que levou Toffoli a Lima, no Peru, para assistir à final da Copa Libertadores de 2025 acompanhado do advogado Augusto de Arruda Botelho, defensor de um executivo do Banco Master.
Outros dois trajetos, em fevereiro de 2025, foram realizados com aeronaves da OSN Administração e Participação e da Heringer Táxi Aéreo, ambas sem relação comprovada com Vorcaro.
Detalhes dos deslocamentos
No dia 4 de julho de 2025, o ministro entrou no terminal executivo do Aeroporto de Brasília às 10h. Dez minutos depois, o jato PR-SAD decolou rumo a Marília (SP), cidade natal de Toffoli. A mesma aeronave já havia sido utilizada em viagens atribuídas ao colega Alexandre de Moraes.
Nessa mesma data, o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo deslocou seguranças para Ribeirão Claro, onde fica o resort Tayayá, a pedido do STF. O local está a cerca de 150 quilômetros de Marília.
Há ainda registros de:
- 17 de junho de 2025 – decolagem para Ourinhos (SP) minutos após entrada de Toffoli no terminal. Ourinhos é o aeroporto mais próximo do Tayayá;
- 1º de outubro de 2025 – voo para o Aeroporto de Congonhas (SP) em aeronave da Petras Participações logo depois do ingresso do ministro no terminal;
- 10 de abril de 2025 – deslocamento para São Paulo no avião PT-STU, de Luiz Pastore, amigo pessoal de Toffoli.
Resposta das partes
A Gazeta do Povo informou ter procurado o gabinete de Dias Toffoli e a defesa de Daniel Vorcaro, mas não obteve retorno até a publicação. Procurada, a Prime Aviation afirmou que, por confidencialidade contratual e em observância à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), não divulga informações sobre usuários de suas aeronaves.
Situação processual
Até o início de 2026, Toffoli era relator dos processos relacionados ao Banco Master no STF. O ministro deixou o caso após a Polícia Federal identificar diálogos entre ele e Vorcaro e, mais tarde, declarou-se suspeito para participar do julgamento colegiado sobre a prisão preventiva do banqueiro, cuja relatoria passou ao ministro André Mendonça.
Toffoli confirmou ser sócio, com os irmãos, na Maridt Participações, que deteve cotas do resort Tayayá, mas afirmou não participar da administração. As cotas foram negociadas com o fundo Arleen, controlado por Fabiano Zettel.
No início da semana, Alexandre de Moraes negou ter voado em jatos vinculados a Vorcaro, classificando as acusações como “fantasiosas” e “absolutamente falsas”.
Com informações de Gazeta do Povo