Brasília – 27/03/2026. A escalada do preço dos combustíveis colocou o Palácio do Planalto e os governos estaduais em rota de colisão num momento decisivo da campanha presidencial. Preocupado com o impacto direto no bolso do eleitor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta em cortes de tributos e subsídios para conter a alta, enquanto governadores resistem a dividir a conta.
Pesquisa mostra empate entre Lula e Flávio Bolsonaro
Levantamento da AtlasIntel divulgado na quarta-feira (25) indica empate técnico entre Lula (46,6%) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) (47,6%) em cenário de segundo turno. O estudo ouviu 5.028 eleitores de 18 a 23 de março, com margem de erro de um ponto percentual e registro no TSE sob o número BR-04227/2026.
Integrantes do governo veem o resultado como sinal de que o preço dos combustíveis pode decidir a eleição. O cientista político André César, da Hold Assessoria Legislativa, avalia que a alta da gasolina e, sobretudo, do diesel provoca efeitos em cadeia sobre frete, alimentos e inflação, aumentando o desgaste da gestão petista.
Medidas federais: isenção e subvenção
No início de março, o Executivo zerou PIS/Cofins sobre combustíveis e concedeu subvenção de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores, buscando alívio imediato nas bombas. Em seguida, a equipe econômica propôs nova subvenção de R$ 1,20 por litro do diesel importado, metade bancada pela União e metade pelos estados. A proposta será analisada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).
“Essa linha dá resposta mais rápida e não exige renúncia de ICMS”, defendeu o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Governadores rejeitam dividir custos
Chefes estaduais acusam o Planalto de tentar repassar o ônus político. “Não há como transferir para os estados aquilo que é responsabilidade federal”, disse Ronaldo Caiado (Goiás), que articula candidatura presidencial pelo PSD. Mauro Mendes (Mato Grosso), do União Brasil, lembrou que Lula criticou medida semelhante adotada por Jair Bolsonaro (PL) em 2022 e afirmou que a estratégia “repete o erro” sem garantir repasse ao consumidor.
Planaltino reage e mira ICMS
Após reunião com caminhoneiros, o ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos (PSOL), acusou governadores de omissão por não reduzirem o ICMS. “Caminhoneiros não podem pagar pela omissão de quem se recusa a mexer no imposto”, afirmou.
Críticas do mercado
Para Cesar Queiroz, CEO da Queiroz Investimentos e Participações, as ações têm caráter eleitoral. “Substituir corte de ICMS por subvenção pode ser trocar seis por meia dúzia; não resolve a questão estrutural”, avaliou.
Reedição de 2022
A ofensiva de Lula repete a adotada por Bolsonaro dois anos antes, quando cortes de tributos e limites ao ICMS ajudaram a segurar preços às vésperas do pleito, mas provocaram queda na arrecadação estadual. À época, o PT classificou a iniciativa como “eleitoreira” e “temporária”. Agora, petistas afirmam que a redução não chega às bombas por causa de um suposto “cartel dos postos”, argumento levantado pelo deputado Paulo Santos (PT-AL), que cobrou ações do Procon e da ANP.
Analistas apontam que, com o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel elevando a cotação do petróleo, o tema tende a permanecer no centro da campanha até outubro.
Com informações de Gazeta do Povo