Brasília, 20 mar 2026 – Seis das maiores representações do mercado brasileiro de combustíveis divulgaram nota conjunta nesta sexta-feira (20) advertindo para o risco de desabastecimento no país e pedindo que o governo federal adote “providências com a maior brevidade possível”. O documento é assinado por Fecombustíveis, Sindicom, Brasilcom, Abicom, Refina Brasil e Sincopetro.
O alerta ocorre em meio à forte oscilação dos preços internacionais do petróleo, intensificada pelo conflito no Oriente Médio. Segundo as entidades, restrições de oferta e mudanças nas condições de fornecimento já afetam a logística e a disponibilidade de produtos no mercado interno.
Força-tarefa e fiscalização
Mais cedo, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Silva, anunciou a criação de uma força-tarefa para fiscalizar o setor em todo o país. Até agora, a operação já inspecionou mais de 1,8 mil postos de combustíveis e 115 distribuidoras em 25 estados.
Medidas tributárias não chegam integralmente às bombas
O governo federal zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e concedeu subvenções econômicas para atenuar o impacto nos preços. Porém, as associações destacam que os efeitos dessas iniciativas não são automáticos para o consumidor, pois dependem da estrutura de formação de preços ao longo da cadeia.
Entre os fatores citados estão custos de importação, frete, mistura obrigatória de biodiesel e tributação estadual. Também pesa o reajuste aplicado pela Petrobras em 14 de março, que elevou o preço do diesel A em R$ 0,38 por litro. Considerando a composição do diesel B — 85 % de diesel A e 15 % de biodiesel —, o repasse estimado ao consumidor é de aproximadamente R$ 0,32 por litro.
Participação de refinarias privadas e importadores
As entidades lembram que parte expressiva do abastecimento nacional provém de refinarias privadas e de importadores que não produzem petróleo no país e seguem referências internacionais. Dessa forma, variações no mercado externo tendem a se refletir em toda a cadeia, “ainda que de forma não uniforme”, aponta a nota.
ANP exige volumes da Petrobras
Na quinta-feira (19), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) solicitou que a Petrobras disponibilize os volumes de diesel e gasolina A referentes aos leilões de março que haviam sido cancelados. A agência afirma não ter identificado risco imediato de falta de produto, mas intensificou o monitoramento de estoques e importações diante do cenário internacional.
Para as organizações do setor, a adoção rápida de medidas governamentais é essencial para garantir a segurança energética e a continuidade regular do fornecimento em todo o território nacional.
Com informações de Gazeta do Povo