Brasília, 19 de março de 2026 – O relator da CPI do Crime Organizado no Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), declarou que o Supremo Tribunal Federal (STF) “tenta proteger” o ministro Dias Toffoli ao barrar investigações relacionadas ao Banco Master, instituição em liquidação acusada de fraudes financeiras.
A crítica foi feita minutos após o ministro Gilmar Mendes anular, nesta quinta-feira (19), a quebra de sigilo do Fundo de Investimentos Arleen, administrado pelo empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro preso Daniel Vorcaro. O requerimento, aprovado pela CPI, buscava detalhes das operações do fundo que envolvem a compra de cotas do resort de luxo Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR).
“O ministro Gilmar Mendes, usando o mesmo processo que ressuscitou para sequestrar uma relatoria e firmar um muro de proteção para o colega ministro Toffoli, agora anulou a quebra do sigilo do fundo Arleen, operado pela organização criminosa Banco Master para fazer pagamentos a terceiros”, afirmou Vieira.
Negócio familiar sob suspeita
Reportagens apontam que os irmãos de Dias Toffoli, José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli, detinham participação no Tayayá e que o próprio ministro era tratado como proprietário de fato. A Maridt Participações, empresa da família, vendeu parte do empreendimento ao Fundo Arleen em 2021 e negociou o restante com a PHD Holding em fevereiro de 2025.
Em dezembro de 2025, o controle do resort passou ao advogado goiano Paulo Humberto Barbosa, que presta serviços à JBS. Já Dias Toffoli concentrou em seu gabinete, em 2025, a investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master, impondo sigilo aos autos. Há suspeita de conflito de interesses porque o ministro viajou a Lima (Peru) no ano passado a convite de um empresário e acompanhado de um advogado que defende um dos investigados.
Reação no Senado
Vieira disse não ter se surpreendido com a decisão de Gilmar Mendes e afirmou ter alertado, na véspera, o plenário do Senado sobre uma “ação articulada” de magistrados para dificultar apurações. O senador informou que apresentará recursos contra a decisão do STF e pretende protocolar pedido para instalação de uma CPI específica destinada a investigar ministros supostamente ligados ao caso.
“Para contemplar seus interesses, não têm constrangimento em rasgar a Constituição e atropelar outro Poder da República. O abuso constante está destruindo a credibilidade da Justiça”, disse o parlamentar.
Com informações de Gazeta do Povo