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PF intensifica caça a grupo de hackers “Os Meninos”, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro

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A Polícia Federal concentrou as atenções na identificação e no modo de atuação de um núcleo batizado de “Os Meninos”, apontado como responsável por invasões a sistemas sigilosos para atender aos interesses do banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master. A nova linha de apuração sucede a já conhecida investigação sobre A Turma, braço físico de intimidação atribuído ao mesmo grupo criminal.

Hackeamentos e fornecimento de dados

Segundo informações colhidas na operação Compliance Zero, “Os Meninos” abasteciam A Turma com dados retirados ilegalmente de bases da Polícia Federal, Poder Judiciário, Ministério Público Federal e até da Interpol. A PF apura se o esquema continua ativo e tenta determinar quem são os membros — pelo menos 20 pessoas estão sob investigação.

Os investigadores não descartam a participação indireta de jornalistas ou influenciadores remunerados para atacar o Banco Central e defender o Master após a liquidação da instituição, em novembro do ano passado. Há suspeita de que o grupo também tenha derrubado ou tentado derrubar conteúdos críticos ao banco.

Detalhes revelados no STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso, manteve Vorcaro preso ao revelar a existência de dois núcleos na organização: A Turma, ligada a ações de campo e intimidação, e Os Meninos, focado em crimes cibernéticos. Em mensagens extraídas do celular do banqueiro, o interlocutor identificado como “Sicário” menciona repasses mensais de cerca de R$ 1 milhão para manter a operação, distribuindo “75” — interpretados pelos investigadores como R$ 75 mil — a cada integrante dos hackers, além de eventuais bônus.

Uma mulher investigada no mesmo inquérito atuava, de acordo com Mendonça, na movimentação financeira que sustentava as invasões virtuais e o monitoramento de alvos.

Prisão em flagrante e material apreendido

A terceira fase da Compliance Zero trouxe “Os Meninos” à tona quando a Polícia Rodoviária Federal abordou um carro ligado ao “Sicário”. Dentro do veículo estavam dois suspeitos do núcleo de hackers, quatro computadores e diversas malas, sinal de que pelo menos um deles deixava o endereço residencial.

Para o STF, a descoberta confirmou a existência de integrantes em atividade, justificando a manutenção da prisão preventiva de Vorcaro por risco à ordem pública.

Funções atribuídas ao grupo

Entre as tarefas investigadas estão:

  • invasão de bases institucionais e privadas;
  • coleta de dados sigilosos;
  • apoio a monitoramento de críticos ao Banco Master;
  • manipulação de informações em ambiente digital.

Os agentes suspeitam ainda do uso de credenciais verdadeiras para acessar sistemas, o que, se confirmado, agravaria o caso.

Contexto da organização

Enquanto Os Meninos atuavam no campo cibernético, A Turma operava como milícia privada, realizando vigilância, ameaças e até mantendo arsenal de armas apreendidas pela PF. O “Sicário”, morto após tentativa de suicídio na prisão em 4 de março, era apontado como coordenador de ambos os núcleos, com pagamentos estruturados e divisão clara de tarefas.

A atual defesa de Daniel Vorcaro não respondeu aos questionamentos sobre a existência dos grupos ou a forma de operação relatada pelos investigadores. A antiga equipe do banqueiro nega qualquer ordem dele para ações violentas ou digitais e alega que as mensagens foram tiradas de contexto.

As investigações seguem em curso para descobrir a identidade completa e o alcance das atividades de “Os Meninos”.

Com informações de Gazeta do Povo