Brasília – O deputado federal e pastor evangélico Otoni de Paula (MDB-RJ) negou ter apoiado a eleição da deputada transexual Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados e afirmou que continua exercendo normalmente o ministério pastoral.
Alegações de voto em Erika Hilton
Informações que circularam nas redes sociais atribuíram a Otoni de Paula participação decisiva no resultado da eleição para o colegiado. Segundo o parlamentar, a disseminação do boato partiu de grupos que, conforme ele, “não concordam com sua atuação política”.
Otoni explicou que a Frente Parlamentar Evangélica havia estabelecido duas orientações: não registrar presença para impedir quórum e, caso o quórum fosse alcançado, votar em branco. “A Frente tinha uma estratégia para tentar barrar a eleição”, resumiu.
Na ocasião, o deputado presidia outra sessão remotamente. Ele contou que, alertado sobre a necessidade de votar, escolheu o voto em branco, mas não percebeu que a votação já se encontrava em segundo turno, etapa em que a orientação era não votar para manter a obstrução. “Meu voto nem foi computado, porque sou suplente e os titulares já haviam votado”, afirmou.
Estratégia não surtiu efeito
Mesmo sem ter o voto registrado, a presença dele e de outro parlamentar acabou garantindo o quórum mínimo. “De qualquer forma, nossa estratégia não funcionaria”, disse. A partir daí, segundo Otoni, surgiram as acusações de que ele teria apoiado Erika Hilton.
Desmentido sobre destituição pastoral
Paralelamente, propagou-se a informação de que o deputado teria sido afastado de suas funções religiosas. Otoni classificou a notícia como “irresponsável fake news”. “Sou pastor há 30 anos, presido um ministério e estou em plena comunhão com meus irmãos na Convenção das Assembleias de Deus Ministério de Madureira”, declarou.
“Ataques fazem parte da vida pública”
O parlamentar disse lamentar os rumores, mas afirmou estar preparado para esse tipo de situação: “Entendo que, como homem público, preciso lidar com ataques mentirosos”.
As comissões permanentes da Câmara analisam e votam proposições legislativas, e seus presidentes são escolhidos anualmente de acordo com a proporcionalidade das bancadas e articulações políticas internas. A eleição de Erika Hilton mobilizou diferentes grupos no Parlamento e em segmentos religiosos.
Com informações de Folha Gospel