Buenos Aires — A ex-presidente da Argentina Cristina Fernández de Kirchner (2007-2015) classificou magistrados e procuradores como “mafiosos” nesta terça-feira (17), ao depor no Tribunal Oral Federal nº 7, responsável pelo chamado Caso dos Cadernos. A audiência faz parte do processo em que ela responde por chefiar um esquema de subornos pagos por empresários.
Kirchner, de 73 anos, recusou-se a responder às perguntas do Ministério Público e do colegiado. Em sua breve manifestação, alegou que provas teriam sido “fabricadas” para incriminá-la e sustentou que houve “uma onda de prisões” destinada a pressionar delações contra ela. “No Caso dos Cadernos, juízes e promotores adotaram práticas mafiosas”, declarou.
A ex-presidente irritou-se logo na abertura da sessão, quando foi questionada sobre dados protocolares como nome completo, idade, estado civil e endereço. Também se queixou de ter sido indagada se possuía “apelido” ou antecedentes criminais, classificando a situação como “perseguição judicial”.
Em seguida, Cristina Kirchner voltou a criticar o uso da figura do réu colaborador, mecanismo que permitiu a vários empresários negociar redução de pena em troca de informação. Segundo ela, o instrumento foi aplicado “de forma criminosa e ilegal” pelo falecido juiz Claudio Bonadio e pelo promotor Carlos Stornelli, ambos rotulados pela ré como parte de um “mecanismo mafioso”.
Entenda a acusação
O Ministério Público afirma que Cristina Kirchner e o ex-presidente Néstor Kirchner (morto em 2010) organizaram, entre 2003 e 2015, uma rede de arrecadação de propinas vinculada a contratos de obras e serviços públicos. A investigação aponta mais de 200 pagamentos ilegais que teriam somado milhões de dólares.
Além de Kirchner, outras 84 pessoas — 19 ex-funcionários e 65 empresários — respondem ao processo. Caso seja considerada culpada, a ex-mandatária pode receber pena de cinco a dez anos de prisão.
Desde 17 de junho de 2025, Cristina cumpre prisão domiciliar por condenação em outro caso de corrupção, o chamado processo Vialidad, que ela também define como “exemplo máximo” de perseguição.
A audiência desta terça foi encerrada sem que a ré prestasse esclarecimentos sobre o mérito das acusações. O tribunal ainda não divulgou a próxima data dos trabalhos.
Com informações de Gazeta do Povo