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Esquerda liga Nikolas Ferreira a empresário do Banco Master e pede investigação sobre uso de jatinho

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Brasília — 06/03/2026. Parlamentares e lideranças de esquerda intensificaram, nesta semana, a tentativa de relacionar o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, após virem à tona voos realizados em 2022 pelo parlamentar em um jatinho ligado a uma empresa da qual Vorcaro foi sócio.

A ofensiva ganhou força na terça-feira (3) depois de coluna da jornalista Malu Gaspar, em O Globo, revelar que o avião foi utilizado pelo então candidato durante a campanha eleitoral daquele ano. Integrantes da oposição argumentam que o episódio pode configurar benefício não declarado e pedem apuração da Justiça Eleitoral e do Ministério Público.

Deputado reage nas redes

Nikolas respondeu em vídeo publicado no Instagram, visto por mais de 2 milhões de usuários. Ele disse que os voos ocorreram há quatro anos, foram contratados por terceiros para eventos com jovens cristãos e que, à época, Vorcaro não era investigado nem possuía notoriedade pública. “Se seguirmos essa lógica, todo passageiro teria de investigar o passado e prever o futuro do dono do meio de transporte”, ironizou.

O parlamentar também apontou supostas ligações de Vorcaro com nomes do governo Lula e disse que a denúncia tem motivação política. Aliados, como o deputado Gustavo Gayer (PL-GO), classificaram a acusação como “inexistente” e lembraram que opositores não apoiaram a criação de uma CPI sobre o Banco Master.

Defesa vinda do exterior

Em mensagem nas redes, os comentaristas conservadores Paulo Figueiredo e Allan dos Santos, além do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vivem nos Estados Unidos, afirmaram que a vinculação de Nikolas ao banqueiro é “equivocada”.

Crescimento de influência e atritos internos

O episódio ocorre enquanto Nikolas amplia presença em eventos políticos e nas plataformas digitais, alcançando centenas de milhões de visualizações. Em fevereiro, vídeos do deputado foram citados como fator de pressão sobre o governo Lula em temas como monitoramento do Pix e taxação de importados eletrônicos.

No campo da direita, houve tensão recente quando Eduardo Bolsonaro cobrou maior dedicação de Nikolas à pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O mineiro reagiu após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão e defendeu união conservadora.

O clima foi amenizado com aparições conjuntas de Nikolas e Flávio em convenção nacional do PL, em Brasília, e no ato da Avenida Paulista, em 1º de março. Nikolas declarou que colocará seu “capital político” a serviço da candidatura do senador e rechaçou disputar o governo de Minas.

Ataques se multiplicam

Figuras como Ivan Valente (PSOL-SP), Lindbergh Farias (PT-RJ), Tabata Amaral (PSB-SP) e o ministro Guilherme Boulos (PSOL-SP) criticaram publicamente o deputado. Lindbergh, ao lado de Rogério Correia (PT-MG), levou notícia-crime à Procuradoria-Geral da República.

Na quinta-feira (5), a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), alegou que o uso do jatinho caracterizaria propaganda eleitoral irregular não informada ao Tribunal Superior Eleitoral no segundo turno de 2022.

Liderança jovem

Com 29 anos, Nikolas ainda não tem idade constitucional para concorrer à Presidência ou ao Senado — prerrogativa que só alcançará em 2034 —, mas seu nome aparece com frequência nas discussões internas da direita. O deputado, filho de pastor evangélico e pai de duas meninas, ganhou projeção nacional ao defender pautas conservadoras e falar diretamente a um público jovem pelas redes.

Analistas ouvidos por diferentes veículos apontam que a rápida ascensão de Nikolas provoca desconforto em setores da esquerda, que temem sua capacidade de mobilização sem apoio da mídia tradicional, e em parte da direita, que vê seu espaço ameaçado.

Com informações de Gazeta do Povo