A organização Christian Concern criticou publicamente a Ministra da Educação do Reino Unido, Bridget Phillipson, após a titular da pasta afirmar que garotos devem ter permissão para usar vestidos no ensino fundamental, caso desejem.
O comentário foi feito pela ministra em entrevista à rádio LBC. Ela ocupa também o cargo de Ministra para as Mulheres e a Igualdade no Partido Trabalhista.
Orientação em consulta pública
No mês passado, o governo britânico divulgou novas diretrizes sobre questões de identidade de gênero nas escolas. O texto, ainda em fase de consulta pública, determina que nenhuma instituição deve promover a transição social de um aluno sem procedimentos formais, como a consulta aos pais e, quando necessário, aconselhamento clínico. Para o ensino fundamental, a orientação prevê que a transição social seja autorizada apenas em circunstâncias “extremamente raras”.
A proposta também garante que instalações como banheiros e vestiários permaneçam de uso exclusivo para cada sexo. Mesmo assim, o fato de permitir qualquer forma de transição motivou críticas de grupos cristãos e pró-família.
Resposta do Christian Concern
Em nota, o Christian Concern declarou que “as escolas não devem mentir para crianças nem incentivá-las a mudar de gênero”. A entidade reforçou a crença de que “todos foram criados homem ou mulher à imagem de Deus” e pediu que cristãos orem para que estudantes “não sejam ensinados de que meninos podem tornar-se meninas e vice-versa”.
Controvérsia antiga
A discussão sobre como instituições de ensino devem lidar com alunos que se identificam como transgênero vem se arrastando há vários anos no Reino Unido. Em 2017, os pais cristãos Nigel e Sally Rowe contestaram na Justiça a política de afirmação de gênero da escola primária anglicana frequentada por seus filhos, que permitia que estudantes trans frequentassem as aulas segundo o gênero com o qual se identificavam.
Com apoio do Christian Legal Centre, o casal chegou a um acordo com o governo em 2022: recebeu 22 mil libras para cobrir custos e obteve o compromisso do Departamento de Educação de revisar as orientações oficiais sobre a questão.
O debate agora volta a ganhar força após as declarações da ministra Bridget Phillipson e a mobilização de grupos religiosos contrários ao uso de roupas consideradas femininas por meninos em escolas primárias.
Com informações de Folha Gospel