Durante a cerimônia que marcou o início das comemorações pelos 135 anos do Supremo Tribunal Federal (STF), realizada em 28 de fevereiro de 2026, o ministro Gilmar Mendes questionou como um “alienígena” entenderia a atuação da Corte ao se informar apenas pelo noticiário do país. O magistrado afirmou que houve mudança no tom da cobertura jornalística e reclamou do que classificou como um “mau humor” da imprensa em relação ao STF.
Ao relembrar que, em anos recentes, o tribunal chegou a ser descrito como “farol da democracia”, Mendes indagou “onde foram parar” os elogios dirigidos à instituição desde a abertura do inquérito das fake news em 2019. Segundo o ministro, a corte, antes exaltada, passou a ser alvo constante de críticas.
Reportagem da The Economist
No mesmo contexto, uma publicação da revista britânica The Economist ganhou repercussão ao apontar um suposto “escândalo de grandes proporções” envolvendo o STF. De acordo com a matéria citada pelo jornal Gazeta do Povo, haveria:
- movimentação de milhões de reais em contas de ministros ou de familiares, por meio de contratos de consultoria e transações imobiliárias com pessoas ligadas ao Banco Master;
- compra de um resort com pagamentos prolongados;
- contrato milionário envolvendo a esposa de um ministro e um banqueiro investigado;
- inquéritos sigilosos instaurados em curto prazo contra quem buscou apurar as suspeitas;
- eventos sociais em Lisboa com a participação de políticos, empresários e magistrados, apelidados de “Gilmarpalooza”.
Opinião pública
A mesma reportagem menciona pesquisa na qual cerca de 50% dos eleitores afirmam pretender votar em outubro em candidatos comprometidos com pedidos de impeachment de ministros do STF. O texto sustenta que, após sete anos de alinhamento, teria ocorrido um “racha” entre Executivo, Corte e parte da mídia.
Em seu discurso, Gilmar Mendes pediu reconhecimento pelo papel do tribunal na defesa da democracia e questionou a ausência de elogios recentes. Na avaliação do ministro, o “alienígena” hipotético enfrentaria dificuldade para compreender a mudança de percepção sobre o Supremo apenas acompanhando as manchetes.
Com informações de Gazeta do Povo