Brasília – A ofensiva que busca acabar com a escala de trabalho 6×1, tema que avançou no Congresso nas últimas semanas, conta com o suporte de organizações não governamentais brasileiras financiadas por fundações ligadas a megabilionários estrangeiros.
Entre os principais financiadores estão a Open Society Foundations, braço filantrópico do húngaro-americano George Soros, e a Skoll Foundation, ligada ao canadense Jeffrey Skoll. As duas entidades destinam recursos a grupos que fazem lobby direto pela mudança na jornada.
Nossas lidera abaixo-assinado no Parlamento
A ONG Nossas encabeça um abaixo-assinado favorável ao fim da escala 6×1, linkado no perfil da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) no Instagram. A entidade, que se define como defensora da democracia e da justiça climática, racial e de gênero, também promoveu campanhas contra a anistia aos presos de 8 de janeiro e pela isenção de impostos a quem ganha até R$ 5 mil.
Relatório de 2024 mostra que o Nossas recebeu R$ 15,7 milhões da Open Society Foundations e R$ 5,4 milhões da Skoll Foundation. Empresas de grande porte, como Facebook, Tinder e Magazine Luiza, aparecem entre os patrocinadores.
Plebiscito Popular 2025 pressiona o Congresso
Outro eixo de pressão é o Plebiscito Popular 2025, lançado no ano passado. Embora use a palavra “plebiscito”, trata-se de uma coleta de assinaturas – não de consulta oficial – para apoiar duas bandeiras: isenção de Imposto de Renda até R$ 5 mil e fim da escala 6×1. O slogan da mobilização é “O Brasil precisa mudar”.
Na coordenação executiva do movimento está o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). Entre 2023 e 2024, o Inesc recebeu R$ 2,2 milhões da Open Society Foundations e R$ 1,8 milhão da Fundação Ford, além de R$ 1,5 milhão do Malala Fund e outro R$ 1,5 milhão da Rainforest.
Em maio de 2025, representantes do Inesc se reuniram com o ex-ministro Márcio Macedo, então na Secretaria-Geral da Presidência, para tratar do Plebiscito Popular. Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e União Nacional dos Estudantes (UNE) também participaram.
Fundo global apoia iniciativas trabalhistas
As fundações bilionárias citadas também sustentam o Labora – Fundo de Apoio ao Trabalho Digno, que financia diversas ONGs ligadas a direitos trabalhistas. Embora não atue diretamente pela extinção da escala 6×1, o Labora mencionou o tema no edital “Fortalecendo Trabalhadores Informais na Luta por Direitos 2026”, que destinará R$ 1,5 milhão a projetos que abordem jornadas exaustivas e direito ao descanso, com foco especial em mulheres negras, mães e cuidadores.
Defensores da mudança argumentam que a medida ampliaria o tempo livre do trabalhador e reforçaria a equidade social. Críticos, por outro lado, alertam para eventuais aumentos de custo e impacto no mercado de trabalho, tema que segue em debate no Legislativo.
Com informações de Gazeta do Povo