O anúncio feito pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, de que Tiago Cavalcanti e Guilherme Mello serão os novos diretores do Banco Central (BC) provocou apreensão entre agentes financeiros, que temem perda de autonomia na definição da taxa Selic.
Quem são os indicados
Cavalcanti, professor da Universidade de Cambridge, é classificado por analistas como um nome técnico. Já Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e um dos principais formuladores de propostas econômicas do PT, é visto como mais alinhado às diretrizes políticas do governo Lula.
Por que a independência do BC preocupa o mercado
Desde 2021, a Lei Complementar nº 179 assegura autonomia operacional à autoridade monetária para conduzir a política de juros sem ingerência do Poder Executivo. Investidores receiam que indicações muito próximas ao Palácio do Planalto abalem a coesão do Comitê de Política Monetária (Copom) e pressionem por cortes na Selic antes que a inflação esteja sob controle.
Riscos apontados por economistas
Especialistas alertam que reduções artificiais na taxa básica podem desvalorizar o real frente ao dólar, afastar capital estrangeiro e acelerar a alta de preços. Experiências recentes em países latino-americanos que perderam a independência de seus bancos centrais resultaram em espirais inflacionárias e fuga de investidores.
Próximos passos
Os dois nomes precisam ser sabatinados e aprovados pelo Senado Federal. Caso confirmados, o governo Lula passará a deter maioria na diretoria do BC. A expectativa é que, até o fim de 2026, todos os nove integrantes do órgão já tenham sido indicados pela atual administração.
Com informações de Gazeta do Povo