Washington (03.jun.2026) – O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) passarão a ser oficialmente classificados como organizações terroristas a partir de sexta-feira, 5 de junho. A medida, anunciada na semana passada, foi detalhada em entrevista da porta-voz Amanda Roberson à Gazeta do Povo.
Designação amplia instrumentos de repressão
Segundo Roberson, a nova classificação permitirá:
- bloqueio imediato de bens e ativos nos EUA;
- proibição de quaisquer transações de cidadãos ou empresas americanas com membros das facções;
- restrições de vistos e possibilidade de deportação de integrantes identificados;
- criminalização do fornecimento de apoio ou recursos aos grupos.
“O presidente Donald Trump deixou claro que usará todas as ferramentas disponíveis para proteger a segurança nacional”, afirmou a porta-voz, acrescentando que as facções brasileiras já apresentaram evidências de atuação em 12 estados norte-americanos, incluindo Nova York, Nova Jersey, Massachusetts e Flórida.
Atuação em território americano
Como exemplo, Roberson citou a prisão, no ano passado, de 18 imigrantes brasileiros irregulares ligados ao PCC, acusados de operar uma rede de venda de fentanil e armas em Massachusetts.
Cobrança por mais rigor de Brasília
A representante do Departamento de Estado declarou que Washington mantém articulação com o governo Lula no combate ao crime organizado, mas avalia que o Brasil “precisa ser mais rigoroso” contra PCC e CV. Atualmente, pelo menos nove agências federais norte-americanas cooperam com autoridades brasileiras em ações de segurança.
Questionada sobre a reação oficial de Brasília – que citou defesa da soberania nacional e criticou “interferência externa” – Roberson respondeu que a prioridade dos EUA é “proteger o país” e que a cooperação regional continuará, pois “Estados Unidos e Brasil compartilham o hemisfério e o desafio do crime organizado”.
Estrategia hemisférica
A inclusão de PCC e CV eleva para 17 o número de grupos criminalizados como terroristas no Hemisfério Ocidental durante o governo Trump. A designação faz parte de um plano mais amplo que, segundo Washington, busca estrangular as finanças de facções transnacionais e reduzir a violência vinculada ao narcotráfico.
Com a medida, membros das organizações brasileiras perdem automaticamente a elegibilidade para vistos americanos e podem ter pedidos de asilo negados ou revogados.
Com informações de Gazeta do Povo