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Testemunha reforça vínculo de Lulinha com “Careca do INSS” em visitas a projeto de cannabis em Portugal

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Brasília – 03.jun.2026 – A publicitária Danielle Miranda Fonteles declarou à Polícia Federal (PF) que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, acompanhou viagens e visitas técnicas em Portugal ligadas a um empreendimento do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. O depoimento foi obtido pela revista Veja e confirmado pela Gazeta do Povo.

Segundo Danielle, que prestava serviços de consultoria a Antunes, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de agendas relacionadas à instalação de uma fábrica de produtos à base de cannabis na região de Aveiro. Ela afirmou que Lulinha foi convidado pelo lobista, mas não tomou parte ativa nas negociações nem exerceu funções operacionais durante as visitas.

Consultora diz não ter sociedade com Antunes

Danielle relatou ter se mudado para Portugal em 2019 para assessorar empresários brasileiros na Europa. Nesse período, passou a colaborar em projetos no setor farmacêutico conduzidos por Antunes. À PF, informou receber remuneração mensal pelo trabalho e negou qualquer participação societária.

Questionada sobre repasses de empresas ligadas ao “Careca do INSS”, a publicitária atribuiu os valores a uma negociação imobiliária. O relato integra o inquérito que investiga o desvio de bilhões de reais de aposentados e pensionistas do INSS.

Defesa de Lulinha nega envolvimento em irregularidades

Advogados de Lulinha sustentam que a viagem a Portugal, em novembro de 2024, já era pública e ocorreu antes de surgirem suspeitas contra Antunes. A defesa afirma que o filho do presidente não recebeu recursos do lobista nem possui vínculo com o projeto investigado.

Apesar disso, registros de passagens aéreas e hospedagem custeados por Antunes passaram a ser analisados pela PF e foram tema de uma CPMI sobre fraudes no INSS, encerrada sem avanço nessa linha.

Negócio de € 2,5 milhões paralisado após prisão do lobista

Documentos recolhidos pelos investigadores indicam que Antunes negociava a compra de um imóvel industrial em Portugal por mais de € 2,5 milhões para abrigar a fábrica de cannabis. Um sinal de cerca de € 100 mil chegou a ser pago antes da prisão do lobista.

Até o momento, a PF afirma não ter indícios de que Lulinha participasse da negociação ou fosse sócio de Antunes.

Intermediação de Roberta Luchsinger

As diligências apontam que a aproximação entre Lulinha e o “Careca do INSS” ocorreu por meio da empresária Roberta Luchsinger, que confirmou à PF ter apresentado os dois. Mensagens apreendidas mostram transferências de aproximadamente R$ 1,5 milhão de empresas ligadas a Antunes para uma companhia vinculada a Roberta, além da ordem de envio de R$ 300 mil a um destinatário referido como “filho do rapaz”.

A empresária nega irregularidades, alega atuação legítima e diz colaborar com as autoridades.

O nome de Lulinha continua fora da lista de investigados formais, mas permanece citado em depoimentos, documentos e registros de viagem examinados pela Polícia Federal.

Com informações de Gazeta do Povo