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Distribuidoras apontam preços defasados no Programa Gás do Povo e alertam para risco de abastecimento

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Brasília – Distribuidoras de gás liquefeito de petróleo (GLP) enxergam discrepâncias entre os preços de referência fixados pelo governo federal e os valores praticados no mercado, o que pode dificultar a adesão de revendedores ao Programa Gás do Povo. A iniciativa, lançada em setembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), substitui o antigo Auxílio Gás e pretende atender cerca de 50 milhões de pessoas.

O Ministério de Minas e Energia (MME) estabeleceu que, até 31 de dezembro de 2025, o botijão de 13 kg será remunerado, para efeito de repasse às revendas, entre R$ 89,67 e R$ 125,05, a depender do estado. Levantamento do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) com base nos preços monitorados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) aponta diferenças que chegam a R$ 30 no Amazonas e a R$ 16 em São Paulo.

Segundo o Sindigás, essas oscilações podem comprometer o funcionamento do programa em determinadas regiões. “Vamos avaliar caso a caso, município a município, parceiro comercial a parceiro comercial, e faremos acontecer”, afirmou o presidente da entidade, Sergio Bandeira de Mello.

Como funciona o novo benefício

O Gás do Povo concede gratuitamente uma recarga do botijão de 13 kg a famílias inscritas no Cadastro Único com renda de até meio salário mínimo por pessoa. A previsão é distribuir 65 milhões de botijões por ano, volume três vezes superior ao registrado no Auxílio Gás.

Para 2025, o orçamento previsto é de R$ 3,5 bilhões, passando a R$ 5,1 bilhões em 2026. A Caixa Econômica Federal já iniciou reuniões com as distribuidoras para detalhar o credenciamento dos pontos de venda, suporte técnico e forma de pagamento dos benefícios.

Resposta do governo

Em nota, o MME afirmou que a Portaria Interministerial MME/MF nº 2/2025, de 17 de outubro, definiu metodologia específica para cada unidade da federação. Os valores, frisou a pasta, têm caráter provisório e poderão ser revistos pelo Comitê Gestor do programa conforme a evolução do mercado.

O ministério ressaltou ainda que o programa tem alcance nacional e que a quantidade de famílias contempladas em cada estado será determinada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

Apesar das divergências, o Sindigás declarou apoio à política e disse estar mobilizado para garantir abastecimento contínuo, analisando impacto local junto aos revendedores e apresentando sugestões “técnicas e construtivas” ao governo, caso ajustes sejam necessários.

Com informações de Gazeta do Povo