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Franklin Graham denuncia “islamismo radical” após vídeos de execuções em El-Fasher, Sudão

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O evangelista norte-americano Franklin Graham classificou como “rosto do islamismo radical” a onda de violência atribuída às Forças de Apoio Rápido (RSF) no Sudão, depois de receber gravações que mostram civis sendo executados em El-Fasher.

Em postagem no Facebook, Graham disse que as imagens — pessoas baleadas na cabeça e pilhas de corpos — são fortes demais para divulgação pública. Ele pediu orações “pelos civis que estão sendo assassinados enquanto leem isto”.

Tomada de El-Fasher

Na segunda-feira da semana passada, a RSF assumiu o controle de El-Fasher, última cidade dominada pelo governo na região de Darfur, após meses de cerco, informou a Associated Press. O conflito interno, iniciado em 2023, já deixou mais de 40 mil mortos e deslocou cerca de 14 milhões de sudaneses.

Na quarta-feira, autoridades sudanesas reportaram mais de 2 mil civis mortos desde a entrada da RSF na cidade.

Execuções verificadas

Vídeos verificados pela BBC exibem combatentes da RSF matando civis em El-Fasher e arredores. Um deles, geolocalizado em prédio universitário, mostra um homem armado fardado atirando à queima-roupa em um prisioneiro desarmado. Outra gravação registra nove detentos sendo executados pelo combatente identificado como Abu Lulu, enquanto colegas comemoram.

Análise de satélite do Laboratório de Pesquisa Humanitária de Yale detectou aglomerações de corpos em áreas que antes não apresentavam distúrbios, corroborando relatos de massacre. A coordenadora da ONU para o Sudão, Denise Brown, afirmou ter recebido relatos “credíveis” de execuções sumárias de homens desarmados na cidade.

A RSF é comandada pelo general Mohammed Hamdan Dagalo, o Hemedti, e descende da milícia Janjaweed, envolvida no genocídio de Darfur nos anos 2000. Estimado em 100 mil combatentes, o grupo obteve financiamento com criação de gado e mineração de ouro, além de apoio de nações do Golfo, segundo a AP.

Pressão internacional

A organização britânica Christian Solidarity Worldwide (CSW) cobrou resposta urgente da comunidade internacional. “As imagens de combatentes da RSF humilhando, torturando e matando civis retratam a violência devastadora vivida nos últimos 18 meses”, afirmou o fundador Mervyn Thomas.

O exército sudanês acionou o Tribunal Internacional de Justiça, acusando os Emirados Árabes Unidos de violar a Convenção sobre o Genocídio ao apoiar a RSF. Abu Dhabi negou, chamando a queixa de “jogada publicitária”. O comando militar também alega que o líder líbio Khalifa Haftar fornece armas e tropas à facção.

Disputa pelo controle do país

Desde a queda de Omar al-Bashir em 2019, Dagalo tornou-se peça-chave na política sudanesa, participando de golpe militar e do colapso de um governo de transição. A atual guerra eclodiu após o rompimento da aliança entre Dagalo e o chefe do exército, general Abdel-Fattah Burhan.

Hoje, o exército controla a maior parte do norte e leste, incluindo Cartum, enquanto a RSF domina quase todo Darfur e parte de Kordofan. O grupo já anunciou planos de instalar um governo paralelo nos territórios sob seu poder.

Com informações de Folha Gospel