Home / Economia / Banco Central veta venda e Banco Master fica perto de intervenção e possível liquidação

Banco Central veta venda e Banco Master fica perto de intervenção e possível liquidação

ocrente 1757473947
Spread the love

São Paulo – 09/09/2025. Após o Banco Central (BC) rejeitar a venda de 58% do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) na última quarta-feira (3), a instituição controlada por Daniel Vorcaro passou a enfrentar a possibilidade de intervenção e, em seguida, liquidação extrajudicial.

FGC pode arcar com maior resgate da história

Em caso de liquidação, o interventor tende a acionar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para pagar até R$ 250 mil por CPF em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pelo Master. O banco tem R$ 51 bilhões em CDBs no mercado, valor equivalente a cerca de 42% dos atuais R$ 121 bilhões em reservas do fundo. Se confirmado, o desembolso superaria em mais do que o dobro o recorde do Bamerindus, que consumiu R$ 19 bilhões em valores atualizados.

Próximos passos possíveis

Com a decisão, BRB e Master ainda podem pedir reconsideração ao BC para ganhar tempo. Em nota, o BRB informou que aguarda acesso ao processo para “avaliar as alternativas cabíveis”. Fontes do mercado relatam que Vorcaro elabora um “plano B” a ser apresentado ao regulador, enquanto o governo do Distrito Federal, controlador de 72% do BRB, não se manifestou.

Uma nova tentativa de venda é considerada improvável. Segundo o professor de Finanças Rafael Schiozer, da FGV-EAESP, o BC já buscou compradores que se enquadrassem nas exigências de estabilidade, mas “parece que não surgiram interessados”. Sem proposta, a intervenção torna-se o cenário mais provável, afirma o especialista: “Quase sempre, quando o BC faz a intervenção, é para liquidar depois”.

Motivos apontados para o veto

O BC não divulgou publicamente as razões do indeferimento; o voto permanece sigiloso por conter “informações comerciais”, disse o presidente do banco, Gabriel Galípolo. Analistas apontam risco de sucessão de passivos como principal fator. O Master soma R$ 63 bilhões em ativos, grande parte formada por créditos de baixa liquidez financiados por CDBs que chegaram a pagar 140% do CDI. Embora a conta feche teoricamente – sobrariam R$ 12 bilhões após quitar os CDBs –, relatórios indicam liquidez imediata de apenas R$ 2 bilhões, insuficiente para honrar R$ 4,8 bilhões em CDBs que vencem no segundo semestre.

Outro elemento citado por agentes do setor é a resistência do BC a pressões políticas. Na véspera do veto, parlamentares tentaram votar o PLP 39/2021, que autoriza o Congresso a destituir dirigentes do BC. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), atribuiu o bloqueio da operação a articulações de partidos contrários, dizendo que “PT e PSB agiram contra o Distrito Federal”.

Histórico da negociação

A compra havia recebido aval sem restrições do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em junho e fora aprovada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal em agosto. A validação do BC era a última etapa. Com o cenário considerado favorável, Vorcaro chegou a passar parte do verão europeu em Saint-Tropez antes da decisão final.

Com a rejeição, cresce a expectativa de que o BC afaste a atual gestão, instaure intervenção e, posteriormente, decrete a liquidação extrajudicial, transformando o Banco Master em mais um caso de quebra no sistema financeiro nacional.

Com informações de Gazeta do Povo

Esse julgamento do STF vai acabar em Pizza?

Esse julgamento do STF vai acabar em Pizza?