O empresário Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, incluiu a revista Oeste entre os veículos de imprensa que tentou censurar devido à cobertura sobre o escândalo envolvendo sua instituição. Em uma conversa datada de 30 de abril de 2025, Vorcaro discutiu com Ana Matos, diretora de Comunicação e Marketing do banco, a possibilidade de enviar uma notificação extrajudicial à revista. Insatisfeito com o conteúdo do documento elaborado pela equipe jurídica, ele exigiu uma abordagem mais rigorosa, afirmando: “Estamos sendo humilhados e desrespeitados”.
A reportagem que gerou o descontentamento de Vorcaro foi publicada em 4 de abril de 2025, e intitulada “Ascensão e queda do Banco Master”, escrita pelo repórter Carlo Cauti na Edição 263 da revista. O texto analisou o crescimento do banco, os riscos associados às suas operações financeiras, os investimentos em precatórios e a negociação frustrada com o Banco de Brasília (BRB), além de destacar as relações de Vorcaro com membros do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e do Supremo Tribunal Federal (STF).
As tentativas de censura de Vorcaro foram documentadas na plataforma MasterWhats, que organiza conversas atribuídas a ele e permite a consulta por data e interlocutor. Esse acervo contém mais de 66 mil mensagens de 24 conversas, abrangendo o período de dezembro de 2023 a novembro de 2025, e foi compilado a partir de documentos relacionados a investigações da Polícia Federal.
A comunicação entre Vorcaro e Ana Matos revela que ela tratava diretamente com o banqueiro as notificações extrajudiciais e as estratégias para silenciar reportagens. Na mesma conversa de 30 de abril, Ana mencionou a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, afirmando que tanto ela quanto a revista Oeste haviam ultrapassado os limites.
O desconforto de Vorcaro com Oeste não é novidade; em 14 de julho de 2024, ele já havia criticado a cobertura da revista em mensagens para Flávio Carneiro, responsável pela assessoria de imagem do banco. Na ocasião, Vorcaro questionou quem estava por trás da publicação e foi informado que a equipe da revista era composta por profissionais com passagens pela Jovem Pan e pelo Antagonista, sendo classificada por ele como “1000% Bolsonaro”.
A situação destaca a crescente tensão entre a imprensa e figuras proeminentes do setor financeiro, refletindo preocupações sobre a liberdade de expressão e a transparência na cobertura de escândalos financeiros.
Fonte: Revista Oeste.










